Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FCC 2022
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fc067123
Banca
FCC
Órgão
TRT - 5ª Região (BA)
Ano
2022
Cargo
Analista Judiciário - Medicina
Paciente com tosse produtiva há 4 meses tem o diagnóstico de tuberculose pulmonar associada a AIDS. Foi iniciado esquema quádruplo e terapia antirretroviral. Após 15 dias, passou a ter febre alta, piora da tosse e da imagem radiológica. Tal fato provavelmente se deva a:
ASíndrome da reconstituição imunológica sistêmica.
BInfecção bacteriana secundária.
CResistência do bacilo da tuberculose.
DMicobacteriose atípica.
EInfecção fúngica.
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GabaritoA — Síndrome da reconstituição imunológica sistêmica.
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Síndrome da reconstituição imunológica (IRIS) em pacientes com TB/HIV
Gabarito: letra A. A piora clínica e radiológica após 15 dias do início da terapia antirretroviral (TARV) em paciente com tuberculose e AIDS é característica da Síndrome da Reconstituição Imunológica Sistêmica (IRIS). Esse fenômeno ocorre pela recuperação da resposta imune, que desencadeia uma reação inflamatória exacerbada contra antígenos micobacterianos preexistentes.
1Paciente com TB pulmonar + AIDS
2Inicia TARV + esquema quádruplo
3Após ~15 dias: febre, piora tosse/radiografia
4Mecanismo: recuperação imune (CD4+)
5Resposta inflamatória contra antígenos da TB
6Diagnóstico: Síndrome da Reconstituição Imunológica (IRIS)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A IRIS sistêmica é uma complicação bem descrita em pacientes coinfectados por HIV e Mycobacterium tuberculosis quando se inicia a TARV. A restauração da imunidade celular, especialmente dos linfócitos T CD4+, leva a uma resposta inflamatória intensa contra os bacilos tuberculosos, resultando em febre, piora da tosse e agravamento radiológico. O quadro costuma surgir nas primeiras semanas após o início da TARV, coincidindo com o caso descrito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Infecção bacteriana secundária, como pneumonia adquirida na comunidade, é um diagnóstico diferencial, mas menos provável na janela temporal de 15 dias após o início da TARV. A febre alta e a piora radiológica associadas à melhora imunológica apontam para IRIS, e não para uma nova infecção, que geralmente cursaria com outros sinais semiológicos (ex.: escarro purulento, leucocitose com desvio).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Resistência do bacilo da tuberculose aos fármacos do esquema quádruplo (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) manifesta-se mais tardiamente (após semanas a meses) e não costuma provocar uma deterioração tão rápida e sincrônica com o início da TARV. Além disso, o tratamento inicial com quatro drogas reduz o risco de resistência adquirida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Micobacteriose atípica (ex.: Mycobacterium avium complex) pode causar doença pulmonar em pacientes com AIDS, mas a apresentação é mais insidiosa, e a piora aguda 15 dias após a TARV é atípica. A cultura e exames específicos ajudariam na distinção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Infecção fúngica (ex.: histoplasmose, criptococose) é outra possibilidade em imunodeprimidos, mas o contexto de TB pulmonar tratada e início recente de TARV torna a IRIS a hipótese mais provável. O tempo de aparecimento também é mais curto para a IRIS.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se: paciente com HIV + tuberculose que piora após iniciar TARV → pensar em IRIS. A tríade febre, piora radiológica e relação temporal com o início da TARV é a chave para o diagnóstico.