Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FCC 2022
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fc067140
Banca
FCC
Órgão
TRT - 5ª Região (BA)
Ano
2022
Cargo
Analista Judiciário - Medicina
Uma paciente sofreu mordedura de cão em mão esquerda evoluindo com sinais de celulite. Medicada com amoxacilina e clavulanato por 4 dias, com melhora evidente, mas com desenvolvimento de diarreia com fezes líquidas 5 vezes ao dia, sem sangue ou muco. É correto afirmar:
Aa maioria dos casos se deve a distúrbio da microbiota não relacionada ao C.dificille.
Ba pesquisa de fecal da toxina do C.dificille negativa exclui infecção pelo C.dificille.
Co tratamento precoce com metronidazol está indicado.
Do uso de medicações inibidores da motilidade está indicado, caso a pesquisa de toxina de C.dificille esteja positiva.
Eo uso de inibidores de bomba de prótons protege contra a colonização do C.dificille.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — a maioria dos casos se deve a distúrbio da microbiota não relacionada ao C.dificille.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diarreia Associada a Antibióticos e Clostridioides difficile
Gabarito: letra A. A maioria dos casos de diarreia associada a antibióticos (DAA) é decorrente de alteração da microbiota intestinal, não relacionada ao C. difficile. Apenas uma minoria é causada por infecção por C. difficile. A paciente apresenta diarreia líquida sem sangue ou muco após uso de amoxicilina/clavulanato, quadro compatível com DAA não complicada. A alternativa A está correta.
A banca testa o conhecimento sobre a epidemiologia e manejo da diarreia associada a antibióticos, especialmente a distinção entre DAA por distúrbio da microbiota e colite por C. difficile.
1Uso de antibiótico
2Alteração da microbiota (70-80%)
3Infecção por C. difficile (10-20%)
4DAA leve: suspender ATB + hidratação
5Colite grave: metronidazol/vancomicina
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está de acordo com a literatura médica: a diarreia associada a antibióticos (DAA) ocorre em 5-25% dos pacientes, e a maioria (cerca de 70-80%) é leve, autolimitada, devido à perda da flora protetora, não relacionada ao C. difficile. A infecção por C. difficile (colite pseudomembranosa) é responsável por apenas 10-20% dos casos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pesquisa de toxina de C. difficile nas fezes tem sensibilidade limitada (cerca de 70-90% para toxina A/B). Um resultado negativo não exclui a infecção, especialmente se a amostra for única ou se o teste não for suficientemente sensível (ex.: ELISA pode dar falso negativo). A "regra de ouro" é a combinação de teste de toxina com detecção de antígeno glutamato desidrogenase (GDH) ou cultura toxigênica. Portanto, afirmar que teste negativo exclui infecção é incorreto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tratamento precoce com metronidazol não está indicado neste caso. A paciente apresenta diarreia leve, sem sinais de gravidade (sem sangue, sem febre, sem leucocitose significativa). A conduta inicial é suspender o antibiótico desencadeante (se possível), manter hidratação e, se necessário, loperamida (desde que não haja suspeita de colite grave). O tratamento específico para C. difficile (metronidazol ou vancomicina) está indicado apenas se houver confirmação laboratorial ou alta suspeita clínica com sinais de gravidade. O uso empírico de metronidazol não é recomendado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os inibidores da motilidade (como loperamida) são contraindicados na infecção por C. difficile, pois podem retardar a eliminação da toxina, aumentar a absorção e agravar o quadro, levando a megacólon tóxico. Mesmo com pesquisa de toxina positiva, o uso é desaconselhado. O tratamento deve ser com antibiótico específico (metronidazol/vancomicina) e reidratação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) é um fator de risco reconhecido para colonização e infecção por C. difficile. Ao reduzir a acidez gástrica, os IBPs permitem a passagem de esporos viáveis para o intestino. Portanto, não protegem contra a colonização; ao contrário, aumentam o risco.