A "paz da descrença" no relato de Millôr Fernandes
Gabarito: letra C. A expressão "a paz da descrença" designa a tranquilidade alcançada por Millôr ao assumir que não há intermediários entre ele e o destino, o que corresponde a desgarrar-se dos conflitos de quem não aceita o destino. Essa interpretação está ancorada na passagem do texto em que ele define o sentimento: "'sou eu e o destino, não tem nenhum intermediário', 'não há interface'."
"O sentimento meu a partir daí, e depois definitivamente concretizado, é que 'sou eu e o destino, não tem nenhum intermediário', 'não há interface'."
A aceitação do destino sem intermediários implica o abandono dos conflitos típicos de quem resiste a ele.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolar. O texto não diz que Millôr se poupou de esforço; ao contrário, ele passou por um momento de intenso choro antes de alcançar a paz. A paz não veio da ausência de esforço, mas da descrença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. Millôr superou o luto e seguiu em frente, tornando-se escritor e crítico. A expressão "jamais aceitaria superar" é oposta ao que o texto descreve.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expressão "a paz da descrença" é explicada pelo próprio Millôr: ele e o destino, sem intermediários. Isso significa que ele se desgarrou dos conflitos de quem não aceita o destino, pois passou a aceitá-lo plenamente. A passagem citada comprova essa interpretação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolar (opinião embutida). O texto não afirma que Millôr tinha uma "convicção trágica de que a vida nada vale". Pelo contrário, a descrença aguçou sua lucidez e o levou a uma vida produtiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. "Descrença" é o oposto de "fé mística". Millôr não abraçou uma nova fé; ele abraçou a ausência de intermediários ou crenças.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a C, pois reflete a aceitação do destino sem intermediários, afastando-se dos conflitos de quem não aceita.
Gabarito: letra C.