Leia o trecho da crônica “Retrato de velho”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. A bolsa e a vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
Em relação à oração centrada no verbo em negrito, exerce a função sintática de sujeito a expressão sublinhada em:
A− Descobri que paciência é uma forma de amor − diz-me uma das filhas, sorrindo. (26º parágrafo)
BE depois, há espécies fabulosas, que rendem um colosso. (8º parágrafo)
CTem horror a criança. (10º parágrafo)
D− Acorda, sua mandriona, o dia já clareou! (14º parágrafo)
EE é um custo impedir que ele escaramuce o doente para fora de casa. (18º parágrafo)
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GabaritoE — E é um custo impedir que ele escaramuce o doente para fora de casa. (18º parágrafo)
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Função sintática do sujeito: como identificar na prática
Gabarito: letra E. A expressão sublinhada que exerce função de sujeito do verbo em negrito é "que ele escaramuce o doente para fora de casa" — uma oração subordinada substantiva subjetiva, que funciona como sujeito do verbo "impedir" (na locução "é um custo impedir"). As demais alternativas trazem objeto direto ou vocativo, não sujeito.
A questão pede que você identifique, entre as orações destacadas, aquela que exerce a função de sujeito do verbo em negrito. Isso é uma tarefa de análise sintática — você precisa reconhecer a função de cada termo dentro da oração, e não apenas o sentido. A banca (FCC) adora cobrar a distinção entre sujeito e objeto direto, especialmente quando o sujeito é uma oração (sujeito oracional).
No trecho da crônica, o verbo em negrito é "impedir" (na forma "impedir"). Quem impede, impede algo ou alguém de fazer alguma coisa. Veja a estrutura:
"E é um custo impedir que ele escaramuce o doente para fora de casa."
Aqui, o sujeito de "impedir" não é uma pessoa explícita; é a oração "que ele escaramuce o doente para fora de casa". Para confirmar, substitua a oração por "isso": "é um custo impedir isso" — "isso" é o sujeito de "impedir". Portanto, a oração sublinhada é subjetiva (funciona como sujeito).
A técnica infalível para distinguir sujeito de objeto direto é perguntar ao verbo:
Quem/Você + verbo? → sujeito.
Verbo + o quê/quem? → objeto direto.
Aplique isso em cada alternativa:
A) "Descobri que paciência é uma forma de amor" — o verbo "descobri" pede o quê? → "que paciência é uma forma de amor" é objeto direto (oração subordinada substantiva objetiva direta).
B) "há espécies fabulosas" — o verbo "há" (impessoal) não tem sujeito; "espécies fabulosas" é objeto direto do verbo haver.
C) "Tem horror a criança" — o verbo "tem" pede o quê? → "horror" é objeto direto; "a criança" é objeto indireto (complemento de "horror").
D) "Acorda, sua mandriona" — "sua mandriona" é vocativo (chamamento), não sujeito.
E) "impedir que ele escaramuce..." — como vimos, a oração é sujeito.
A pegadinha da banca está em C e D: em C, "a criança" parece sujeito, mas é objeto indireto; em D, "sua mandriona" parece sujeito, mas é vocativo. A banca também explora a confusão entre sujeito oracional e objeto direto oracional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a função de sujeito por objeto direto — em A e B, as orações são objetos diretos, não sujeitos. Fique atento ao verbo: se ele é transitivo direto, o que vem depois é objeto; se o verbo é intransitivo ou de ligação, o que vem antes pode ser sujeito.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o sujeito, pergunte "quem?" ou "o quê?" antes do verbo. Se a resposta for uma oração, ela é sujeito oracional. Substitua por "isso" para confirmar.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Descobri que paciência é uma forma de amor"
O verbo "descobri" é transitivo direto: quem descobre, descobre algo. A oração "que paciência é uma forma de amor" responde à pergunta "descobri o quê?" — logo, é objeto direto (oração subordinada substantiva objetiva direta). Não é sujeito. Erro: troca de função (objeto direto no lugar de sujeito).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"há espécies fabulosas"
O verbo "há" (haver no sentido de existir) é impessoal — não possui sujeito. "Espécies fabulosas" é objeto direto do verbo haver. Portanto, não há sujeito na oração. Erro: atribuir função de sujeito a um termo que é objeto direto de verbo impessoal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Tem horror a criança"
O verbo "tem" é transitivo direto: quem tem, tem algo. "Horror" é o objeto direto; "a criança" é objeto indireto (complemento nominal de "horror", regido pela preposição "a"). Nenhum dos dois é sujeito. Erro: confundir objeto indireto com sujeito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Acorda, sua mandriona"
"Sua mandriona" é um vocativo — termo que serve para chamar/interpelar o interlocutor. Não exerce função de sujeito. O sujeito de "acorda" é o você implícito (sujeito oculto/desinencial). Erro: confundir vocativo com sujeito.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"E é um custo impedir que ele escaramuce o doente para fora de casa."
O verbo "impedir" tem como sujeito a oração "que ele escaramuce o doente para fora de casa". Substitua por "isso": "é um custo impedir isso" — "isso" é o sujeito. Trata-se de uma oração subordinada substantiva subjetiva. É a única alternativa em que a expressão sublinhada exerce função de sujeito.
Conclusão: a questão testa a habilidade de reconhecer a função sintática do sujeito, especialmente quando ele é uma oração. A alternativa E é a única em que a expressão sublinhada é sujeito; as demais são objeto direto, objeto indireto ou vocativo. Gabarito: letra E.