Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
- Código
- fc067692
- Banca
- FCC
- Órgão
- TRT - 5ª Região (BA)
- Ano
- 2022
- Cargo
- Técnico Judiciário - Área Administrativa
- Ainteresseiros.
- Bpreguiçosos.
- Cingênuos.
- Dcompassivos.
- Eindulgentes.
GabaritoA — interesseiros.
Gabarito: letra A. A crítica implícita na frase “Pode-se descrer do juízo de um homem que rasgue dinheiro, não porém do de outro que reparta dinheiro conosco” é a de que somos interesseiros: só duvidamos da sanidade de quem destrói dinheiro, mas aceitamos como sã a loucura de quem nos beneficia. A ironia está em julgar a razão pelo proveito próprio.
Leia o trecho: “Pode-se descrer do juízo de um homem que rasgue dinheiro, não porém do de outro que reparta dinheiro conosco.”
A oposição “rasgue dinheiro” (perda) × “reparta dinheiro conosco” (ganho) mostra que o critério de credibilidade é o interesse pessoal. O cronista denuncia nossa tendência de aceitar qualquer absurdo desde que nos traga benefício material.
O comentário irônico critica exatamente o interesseiro: preferimos acreditar em quem nos dá dinheiro do que em quem o destrói. A palavra “conosco” revela o viés egoísta. Como o texto afirma: “não porém do de outro que reparta dinheiro conosco”.
Erro: extrapolação. O texto não associa a credibilidade a preguiça. Juca não é criticado por ser preguiçoso (ele trabalha como carpinteiro), e a crítica do cronista não se dirige a esse traço. Nada no trecho sugere “preguiçosos”.
Erro: troca de conceito. A crítica não é sobre ingenuidade. O cronista não diz que somos ingênuos por acreditar; diz que acreditamos porque nos interessa — atitude calculista, não ingênua. A ingênua seria dona Neném, mas a crítica do comentário é sobre a plateia que aceita a história em troca de vantagens.
Erro: generalização indevida. “Compassivos” significaria piedade ou solidariedade, mas o texto mostra aceitação motivada por ganho pessoal, não por compaixão. O próprio Juca promete “distribuir mercês”, não ajuda desinteressada.
Erro: tangenciamento. “Indulgentes” (tolerantes) não é o foco. A aceitação não vem de tolerância, mas de expectativa de lucro. O cronista critica o interesse, não a permissividade.
A banca explora a sedução de “ingênuos” (C) — o candidato pode pensar que acreditar em promessa é ser ingênuo, mas a ironia aponta para o interesse como motor da crença. Sempre verifique se a alternativa capta a causa (interesse) ou apenas o efeito (crença).
Grife a oposição “rasgue” × “reparta conosco”. A palavra “conosco” é a chave: indica que o julgamento muda quando o benefício é próprio. Toda ironia tem uma inversão de expectativa — aqui o normal seria desconfiar de ambos, mas o texto ironiza que só desconfiamos de quem não nos dá nada.
Gabarito: letra A.
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