Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
- Código
- fc068147
- Banca
- FCC
- Órgão
- SEDU-ES
- Ano
- 2022


- Aa finalidade pedagógica.
- Bo tom informal.
- Co caráter prescritivo.
- Do discurso moralizante.
- Ea linguagem rebuscada.


GabaritoB — o tom informal.
Gabarito: letra B. A crônica de Carlos Drummond de Andrade é marcada pelo tom informal, perceptível já na abertura, quando o autor se dirige diretamente ao leitor com um pedido coloquial: "O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato." A informalidade também aparece em expressões como "Era duas da madrugada quando o pintor Reis Júnior... me bateu à porta, noticioso" e no tom de conversa franca com o leitor ao longo de todo o texto.
A questão pede que se identifique uma característica recorrente do gênero crônica presente no texto. A crônica, como gênero textual, caracteriza-se por abordar o cotidiano de forma leve, subjetiva e, frequentemente, com linguagem coloquial e tom informal, aproximando-se da conversa. O texto de Drummond exemplifica isso: o autor narra a história de seu gato Inácio, que sumiu, e o faz com marcas claras de oralidade e proximidade com o leitor.
A finalidade pedagógica não está presente. O texto não tem intenção de ensinar, instruir ou transmitir um conhecimento específico ao leitor. Trata-se de uma narrativa pessoal, subjetiva, sobre a relação do autor com seu gato. Não há qualquer trecho que aponte para um objetivo educativo.
O tom informal é a característica central. Observe as marcas de coloquialidade:
"O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato."
O autor conversa diretamente com o leitor, usando expressões como "faça o obséquio" (embora polida, é uma forma de tratamento direto e pessoal) e "Trata-se de um gato" (frase curta, típica da oralidade). Além disso, há passagens como:
"Eram duas da madrugada quando o pintor Reis Júnior, que passeia a essa hora com seu cachimbo e seu cão, me bateu à porta, noticioso."
A narrativa é feita em primeira pessoa, com tom de confidência, como quem conta um caso a um amigo. A informalidade é reforçada por expressões como "Era falta de Inácio" e pelo tom afetivo com que fala do gato.
O caráter prescritivo não existe. O texto não dá ordens, instruções ou conselhos de como fazer algo. Não é um texto injuntivo. O autor apenas narra e reflete sobre a ausência do gato, sem prescrever qualquer procedimento.
O discurso moralizante também está ausente. O autor não faz juízos de valor sobre comportamentos, não prega valores morais nem tenta corrigir o leitor. A única menção a algo próximo é quando diz que "maltratar animais é uma forma de desonestidade", mas isso é uma opinião pontual, não um discurso moralizante que perpassa o texto.
A linguagem rebuscada não é utilizada. Pelo contrário, o texto é escrito em linguagem simples, coloquial, próxima da fala. Não há vocabulário erudito, construções sintáticas complexas ou arcaísmos. A crônica de Drummond é conhecida justamente pela clareza e pela naturalidade da linguagem.
A banca explora a confusão entre características que podem parecer plausíveis para uma crônica, mas que não se verificam no texto. A alternativa E (linguagem rebuscada) é a mais sedutora para quem não percebe a informalidade predominante, pois Drummond é um autor consagrado e pode-se supor, erroneamente, que sua linguagem seja erudita.
Para identificar o tom de um texto, observe as marcas de oralidade: pronomes de tratamento direto ("você", "o leitor"), expressões coloquiais, frases curtas, interjeições, e a presença da primeira pessoa. A crônica, por ser um gênero que nasce no jornal e dialoga com o leitor comum, tende à informalidade.
Gabarito: letra B.
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