Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2022
- Código
- fc068149
- Banca
- FCC
- Órgão
- SEDU-ES
- Ano
- 2022


- Aonírico.
- Bfantástico.
- Chermético.
- Dparticular.
- Epolítico.


GabaritoD — particular.
Gabarito: letra D. O cronista ressalta o caráter particular de sua crônica, pois, logo no primeiro parágrafo, afirma que o que escreve "não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo" e pede ao leitor que "mude de coluna". Essa declaração explicita que o texto trata de um assunto pessoal, íntimo — a história de seu gato Inácio —, e não de um tema de interesse geral. A alternativa D é a única que capta essa subjetividade que o autor assume deliberadamente.
A questão pede interpretação ("ressalta seu caráter"), ou seja, exige que você perceba a intenção do cronista ao escrever. Não se trata de uma informação literal, mas de uma atitude que o texto deixa transparecer. O cronista não está dizendo que a crônica é um sonho (onírico), nem uma fantasia, nem algo incompreensível (hermético), nem uma crítica política. Ele está dizendo, com ironia e humildade, que aquilo é dele, particular.
Onírico remete a sonho, a algo irreal ou fantástico. O texto não apresenta a crônica como um sonho; ao contrário, narra fatos concretos: o desaparecimento do gato, a tentativa de captura, a reflexão sobre a ausência. Não há nenhuma passagem que sugira o caráter onírico. A alternativa extrapola — acrescenta uma ideia que não está no texto.
Fantástico também não se sustenta. A crônica narra acontecimentos cotidianos — a fuga de um gato, a busca por ele — sem elementos sobrenaturais ou inverossímeis. O adjetivo "fantástico" contradiz o tom realista e afetivo do texto. O cronista fala de Inácio como um gato comum, com "cor incomum em gatos comuns", mas isso não torna a crônica fantástica.
Hermético significa obscuro, de difícil compreensão. O texto é claro e acessível; o cronista até se desculpa com o leitor por tratar de um assunto pessoal, mas não há nenhuma intenção de dificultar a leitura. A alternativa tangencia — confunde a subjetividade do tema com obscuridade de linguagem.
O caráter particular é explicitamente assumido no primeiro parágrafo:
"Mas o que me brota espontaneamente da máquina, hoje, não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo. O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato."
O cronista reconhece que o assunto é pessoal — "salvo a mim mesmo" — e que não tem pretensão de agradar a todos. Essa é a marca do caráter particular: a crônica nasce de uma experiência íntima, não de um tema de interesse coletivo. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto.
Político não aparece em nenhum momento. O cronista até menciona "as reformas do ministério" de passagem, mas apenas para dizer que a falta de Inácio é mais importante para ele do que essas reformas:
"Mas Inácio desapareceu e sua falta é mais importante para mim do que as reformas do ministério."
Ou seja, o texto explicitamente afasta o interesse político, colocando o assunto pessoal acima dele. A alternativa contradiz o texto.
A banca explora a confusão entre o caráter subjetivo/pessoal da crônica e outros adjetivos que parecem plausíveis, mas não são sustentados pelo texto. A palavra-chave é "particular" — sinônimo de pessoal, íntimo —, que o próprio cronista assume ao dizer que o texto "não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo".
Ao identificar o caráter de um texto, procure a atitude do autor — o que ele diz sobre o próprio texto. No primeiro parágrafo, o cronista já entrega a chave: "não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo". Isso é particularidade, não onirismo, fantasia, hermetismo ou política.
Gabarito: letra D.
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