Correlação verbal na condição com "se"
Gabarito: letra E. A substituição que mantém a correlação adequada entre tempos e modos verbais é a que transpõe toda a frase para o passado, usando "fomos" (pretérito perfeito do indicativo), "fôssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) e "logramos" (pretérito perfeito do indicativo). No texto original, o autor emprega o presente do indicativo em todos os verbos, inclusive na oração condicional "se somos poetas", o que é menos usual na norma culta – o subjuntivo seria mais adequado. Ao mudar a referência temporal para o passado, a correlação torna-se canônica: uma condição hipotética passada ("se fôssemos poetas") e uma consequência factual também passada ("logramos conceber"), mantendo a coerência entre os verbos.
"Todavia, também somos bastante desprovidos de imaginação, e raramente − exceto quando crianças ou se somos poetas − logramos conceber mais do que meras duplicações..."
No texto original, os verbos sublinhados são: primeiro "somos", segundo "somos" e "logramos". Em E, o primeiro vira "fomos" (passado), o segundo vira "fôssemos" (imperfeito do subjuntivo) e o terceiro permanece "logramos", que agora deve ser lido como pretérito perfeito ("nós logramos" = conseguimos). Essa tríade estabelece uma sequência temporal uniforme (passado) e respeita a regência gramatical da condicional ("se" + pretérito imperfeito do subjuntivo para hipótese passada).
Alternativa A — ❌ Incorreta
"seremos, seríamos, lográvamos" – mistura futuro do indicativo, futuro do pretérito e pretérito imperfeito, sem relação lógica entre si. A condição "se formos" exigiria futuro do subjuntivo, e o resultado "lograríamos" (futuro do pretérito) não se alinha com o futuro do indicativo do primeiro verbo. Há discordância temporal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"somos, fomos, lográvamos" – mescla presente, pretérito perfeito e pretérito imperfeito, quebrando a uniformidade. O segundo verbo ("fomos") no pretérito não se harmoniza com a condição expressa por "se" – se o contexto é presente, deveria ser "formos" (presente do subjuntivo); se é passado, "fôssemos". A mistura é incoerente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"éramos, formos, lograríamos" – "éramos" (pretérito imperfeito) e "formos" (futuro do subjuntivo) indicam tempos diferentes; o resultado "lograríamos" (futuro do pretérito) também aponta para um momento distinto. A condição "se formos" é futura, mas o contexto do primeiro verbo é passado, gerando ruído. A correlação se perde.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"fôramos, fôramos, lográssemos" – todos verbos no pretérito mais-que-perfeito do indicativo e pretérito imperfeito do subjuntivo, formando uma estrutura de passado irreal ("se fôssemos... teríamos logrado"), mas o texto original não expressa irrealidade; é uma condição habitual. Além disso, "fôramos" (mais-que-perfeito) é incomum nesse tipo de condicional; o esperado seria "fôssemos" (imperfeito do subjuntivo). A tríade não se ajusta ao sentido do texto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"fomos, fôssemos, logramos" – conforme explicado, a transposição para o passado garante a correlação: o primeiro verbo no pretérito perfeito (fato passado), a condição no pretérito imperfeito do subjuntivo (hipótese passada) e o resultado também no pretérito perfeito. A leitura de "logramos" como pretérito é perfeitamente possível na língua ("nós logramos"). Essa é a única alternativa que oferece uma correlação verbal lógica e gramaticalmente aceitável.
Gabarito: letra E