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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc069138
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial - Psicologia
Avaliar e avaliar-se


          Avaliar é atribuir algum valor a algo ou a alguém. Nesse sentido, nossa atenção recai em geral sobre o que ou quem está sendo avaliado. Um carro, um modo de vida, um governo, uma empresa, uma pessoa – imediatamente surge logo diante de nós o objeto de uma avaliação, na iminência ou no momento mesmo de ser qualificado. Mas pensa-se pouco no sujeito da avaliação: afinal, quem está avaliando? Não é uma pergunta que costuma se antepor a um processo de avaliação – e no entanto, esta depende, fundamentalmente, dos critérios já assumidos pelo avaliador.

        De fato, avaliar supõe faixas de mensuração dos valores atribuídos, que podem ir do barato ao caro, do fácil ao difícil, do belo ao feio, do necessário ao supérfluo etc. etc. O valor pode estar num extremo ou outro, ou em algum ponto de uma tábua valorativa onde os traços são flutuantes e problemáticos. Mas essa tábua não age por si mesma, e volta-se à pergunta mais que necessária: quem elegeu, graduou e opera essa tábua?

        Ainda quando estudantes do ensino médio, foi-nos oferecida por uma professora a oportunidade de nos avaliarmos a nós mesmos. A atribuição obrigatória da nota do trabalho de cada um a cada um estaria reservada. Olhamo-nos, intrigados. À primeira vista, parecia ser aquela uma oportunidade de ouro para todo mundo se dar a nota máxima... Mas, no momento seguinte, sentimos que estávamos sendo convocados para uma tarefa superior, e nada oportunista: a de cada um revelar para si mesmo que tipo de ética havia dentro de si, que valores lhe caberia defender como verdadeiros. A professora nos oferecia, assim, um espelho crítico diante do qual podíamos fazer alguma micagem ou reconhecer e enfrentar a verdade dos nossos limites. Foi uma lição preciosa, nada fácil, aliás, de se sustentar com a honestidade que ela reclama.

(ALBUQUERQUE, Silvério. Notas de escola. Aguardando edição) 
Foi uma lição preciosa, nada fácil, aliás, de se sustentar com a honestidade que ela reclama.

O período acima permanecerá gramaticalmente correto caso se substitua o elemento sublinhado por
  1. Adifícil, inclusive, de permanecer honesta sem que se reclame.
  2. Bde cuja dificuldade, portanto, está em sustentar-lhe com a devida honestidade.
  3. Cnão sendo fácil, todavia, de lhe sustentar pelo reclamo da honestidade.
  4. Dum tanto difícil, note-se, de se preservar com a honestidade que ela reivindica.
  5. Emesmo assim difícil, diga-se, pelo fato de lhe sustentar com sua total honestidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — um tanto difícil, note-se, de se preservar com a honestidade que ela reivindica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição do advérbio "aliás" por expressão equivalente

Gabarito: letra D. A alternativa D mantém o sentido e a correção gramatical ao substituir "aliás" por "note-se", preservando a ideia de que a lição é difícil e exige honestidade. As demais alternativas alteram o sentido ou apresentam vícios de linguagem.

Análise do período original

"Foi uma lição preciosa, nada fácil, aliás, de se sustentar com a honestidade que ela reclama."

  • "Aliás" é um advérbio que introduz uma retificação ou ênfase, equivalente a "ou melhor", "além disso".

  • "Nada fácil" = "não é fácil", "muito difícil".

  • "De se sustentar com a honestidade que ela reclama" = de se manter com a honestidade que a lição exige.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"um tanto difícil, note-se, de se preservar com a honestidade que ela reivindica."

  • "Note-se" funciona como marcador discursivo parentético, tal qual "aliás", acrescentando um comentário do enunciador.

  • "Um tanto difícil" atenua ligeiramente "nada fácil", mas a ideia de dificuldade se mantém.

  • "De se preservar" equivale a "de se sustentar" (manter-se).

  • "Reivindica" é sinônimo de "reclama" no contexto (exige).

  • A estrutura sintática é paralela e gramaticalmente correta.

Alternativas incorretas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"difícil, inclusive, de permanecer honesta sem que se reclame."

  • Erro: troca de sentido. Troca "sustentar-se com a honestidade" por "permanecer honesta" (muda o referente) e acrescenta "sem que se reclame" (nega a reclamação, que o texto afirma).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"de cuja dificuldade, portanto, está em sustentar-lhe com a devida honestidade."

  • Erro: contradiz o texto + regência. "Portanto" expressa conclusão, enquanto "aliás" é aditivo. Além disso, "sustentar-lhe" é inadequado (o verbo "sustentar" é transitivo direto, não indireto). "Cuja dificuldade" cria uma referência vaga.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"não sendo fácil, todavia, de lhe sustentar pelo reclamo da honestidade."

  • Erro: contradiz o texto + regência. "Todavia" expressa contraste, não retificação. "Lhe sustentar" novamente erro de regência. "Pelo reclamo" é expressão estranha ao português padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"mesmo assim difícil, diga-se, pelo fato de lhe sustentar com sua total honestidade."

  • Erro: contradiz o texto + regência. "Mesmo assim" indica concessão (apesar de algo), que não existe no original. "Diga-se" é menos adequado que "note-se". Novamente "lhe sustentar" é erro de regência.

💡 Dica: Ao substituir conectivos, verifique se a relação lógica (adição, oposição, conclusão) é mantida. "Aliás" é aditivo/retificativo; "note-se" tem função semelhante.

Gabarito: letra D

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