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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc069151
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial - Psicologia
[Em torno dos sonhos]

       A palavra sonho, do latim somnium, significa muitas coisas diferentes, todas vivenciadas durante a vigília, e não durante o sono. Realizei o “sonho da minha vida”, “meu sonho de consumo” são expressões usadas cotidianamente pelas pessoas para dizer que pretendem ou conseguiram alcançar algo. Por que será que o sonho, fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra usada para designar tudo aquilo a que se aspira?
      O repertório publicitário contemporâneo não tem dúvida de que o sonho é a força motriz de nossos comportamentos, a motivação íntima de nossa ação exterior. Num anúncio de cartão de crédito, a promessa milagrosa: “Realizamos todos os seus sonhos”. Em outro anúncio de cartão de crédito, uma foto enorme de um casal sorridente, velejando num mar caribenho em dia ensolarado, está sobre a frase “Aonde os seus sonhos o levarão?” Deduz-se do anúncio de que os sonhos são como veleiros, capazes de levar-nos a lugares idílicos, perfeitos, altamente... desejáveis. As equações “sonho é igual a desejo que é igual a dinheiro” têm como variável oculta a liberdade de ir, ser e principalmente ter, liberdade que até os mais miseráveis podem experimentar no sonho noturno, mas que no sonho diurno é privilégio apenas dos detentores de um mágico cartão de plástico.
         No seu famoso discurso “I have a dream” (“eu tenho um sonho”), o reverendo Martin Luther King colocou no centro do debate político norte-americano a necessidade de justiça e integração racial. Num país construído por escravos africanos, seus descendentes eram obrigados a construir o “sonho americano”, mas proibido de fruí-lo. Prêmio Nobel da paz em 1964, o dr. King foi assassinado a tiros quatro anos depois. Morreu o reverendo lutador, mas não o sonho, que vicejou e progressivamente abriu espaço para a diminuição da desigualdade racial no país. Força poderosa a dos sonhos, que continua a requerer explicação. 

(Adaptado de: RIBEIRO, Sidarta. O oráculo da noite. A história e a ciência do sonho. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p, 19-20)
No primeiro parágrafo, o autor se mostra
  1. Aprovocado pelo uso indiscriminado que fazemos da palavra sonho.
  2. Bdescontente com as conotações indevidas atribuídas aos nossos sonhos.
  3. Cintrigado com um sentido exclusivo que se usa atribuir à palavra sonho.
  4. Dperturbado pela dificuldade de se definir o que seja exatamente um sonho.
  5. Einteressado em saber por que a palavra sonho é usada de forma tão contraditória.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — intrigado com um sentido exclusivo que se usa atribuir à palavra sonho.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Atitude do autor no primeiro parágrafo

Gabarito: letra C. O autor está intrigado (curioso) com o fato de a palavra "sonho" ser usada para designar aspirações, como mostra a pergunta retórica:

"Por que será que o sonho, fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo, é justamente a palavra usada para designar tudo aquilo a que se aspira?"

Essa indagação revela curiosidade, não irritação, insatisfação ou perturbação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O autor não se mostra "provocado" (irritado). Ele apenas questiona, sem tom de provocação. A expressão "uso indiscriminado" não corresponde ao texto, que aponta uso cotidiano, não indiscriminado. Erro: extrapola (acrescenta emoção ausente).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há "descontentamento" nem condenação de "conotações indevidas". O autor descreve o uso sem julgamento negativo. Erro: extrapola (atribui sentimento não expresso).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O autor está intrigado com um sentido particular (exclusivo) atribuído à palavra — o de aspiração. A pergunta "Por que será..." demonstra essa curiosidade. A passagem citada comprova.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O autor não está "perturbado" nem demonstra dificuldade em definir "sonho". Ele mesmo oferece uma definição: "fenômeno normalmente noturno que tanto pode evocar o prazer quanto o medo". Erro: contradiz o texto (define com clareza) e extrapola (perturbação inexistente).

Alternativa E — ❌ Incorreta

O autor está interessado na razão do uso, mas não qualifica o uso como "contraditório". Ele apenas contrasta o sonho noturno com a aspiração, sem afirmar contradição. Erro: troca de conceito (introduz termo "contraditória" não presente no texto).

Conclusão: A única alternativa inteiramente apoiada no texto é a C, que capta a curiosidade do autor diante de um uso específico da palavra "sonho".

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