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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — FCC 2023

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
fc069196
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial - Sem Especialidade
Atenção: Leia o texto “Liberdade e necessidade ao revés”, de Eduardo Giannetti, para responder à questão.

    “Por meios honestos se você conseguir, mas por quaisquer meios faça dinheiro”, preconiza - prenhe de sarcasmo - o verso de Horácio. Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos. Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna - um prêmio lotérico, uma indenização milionária, uma inesperada herança. Quem continuaria a fazer o que faz para ganhar a vida caso não fosse mais necessário fazê-lo? Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda - como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha: o território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual. A possibilidade de satisfazer, ainda que parcialmente, nossos desejos e fantasias de consumo se afigura como a merecida recompensa - ou suborno, diriam outros - capaz de atenuar a frustração e aliviar o aborrecimento de ocupações que de outro modo não teríamos e não nos dizem respeito.
       Daí que, na feliz expressão do jovem Marx, “o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando; quando ele está trabalhando, ele não se sente ele mesmo”. - Mas, se o mundo do trabalho está vedado às minhas escolhas e modo de ser; onde poderei expressar a minha individualidade? Impedido de ser quem sou no trabalho - escritório, chão de fábrica, call center, guichê, balcão - , extravaso a minha identidade no consumo - shopping, butique, salão, restaurante, showroom. Fonte de elã vital, o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor. A compra de bens externos molda a identidade e acena com a promessa de distinção: ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia, respeito e admiração pelos demais. Não o que faço, mas o que possuo - e, sobretudo, o que sonho algum dia ter - diz ao mundo quem sou. Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto.

(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)
O termo sublinhado em “Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda” (1º parágrafo) refere-se a
  1. Arenda.
  2. Bcontragosto.
  3. Cnos [pronome].
  4. Dnós [sujeito oculto de “sujeitamos”].
  5. Ealgo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — algo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial — função do pronome relativo

Gabarito: letra E. O termo sublinhado é o pronome relativo "que", precedido da preposição "a", formando "a que". Esse pronome retoma o termo antecedente "algo", como se vê no trecho:

"Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda"

A estrutura "algo a que nos sujeitamos" significa "algo ao qual nos sujeitamos". O relativo "que" substitui "algo" dentro da oração adjetiva, funcionando como objeto indireto do verbo "sujeitar-se" (sujeitar-se a algo). Portanto, o referente é algo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Renda" é o termo regido pela preposição "para obter" (para obter uma renda), não tem relação com o pronome relativo. A oração adjetiva "a que nos sujeitamos" modifica "algo", não "renda".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Contragosto" é um advérbio (a contragosto = de má vontade), que modifica o verbo "sujeitamos". Não é antecedente de pronome relativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Nos" é um pronome oblíquo átono, objeto indireto do verbo "sujeitamos" (sujeitar-se a algo). O pronome relativo "que" não se refere a "nos"; ele retoma "algo".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Nós" (sujeito oculto de "sujeitamos") é o sujeito da oração, mas o pronome relativo nunca se refere ao sujeito oculto. O referente está sempre expresso no antecedente, que é "algo".

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, "que" retoma "algo", termo imediatamente anterior. A preposição "a" é exigida pela regência do verbo "sujeitar-se" (sujeitar-se a algo).

Gabarito: letra E

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