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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc069198
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial - Sem Especialidade
Atenção: Leia o texto “Liberdade e necessidade ao revés”, de Eduardo Giannetti, para responder à questão.

    “Por meios honestos se você conseguir, mas por quaisquer meios faça dinheiro”, preconiza - prenhe de sarcasmo - o verso de Horácio. Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos. Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna - um prêmio lotérico, uma indenização milionária, uma inesperada herança. Quem continuaria a fazer o que faz para ganhar a vida caso não fosse mais necessário fazê-lo? Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda - como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha: o território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual. A possibilidade de satisfazer, ainda que parcialmente, nossos desejos e fantasias de consumo se afigura como a merecida recompensa - ou suborno, diriam outros - capaz de atenuar a frustração e aliviar o aborrecimento de ocupações que de outro modo não teríamos e não nos dizem respeito.
       Daí que, na feliz expressão do jovem Marx, “o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando; quando ele está trabalhando, ele não se sente ele mesmo”. - Mas, se o mundo do trabalho está vedado às minhas escolhas e modo de ser; onde poderei expressar a minha individualidade? Impedido de ser quem sou no trabalho - escritório, chão de fábrica, call center, guichê, balcão - , extravaso a minha identidade no consumo - shopping, butique, salão, restaurante, showroom. Fonte de elã vital, o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor. A compra de bens externos molda a identidade e acena com a promessa de distinção: ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia, respeito e admiração pelos demais. Não o que faço, mas o que possuo - e, sobretudo, o que sonho algum dia ter - diz ao mundo quem sou. Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto.

(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)
O autor dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte trecho:
  1. Ao ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor (2º parágrafo).
  2. BA compra de bens externos molda a identidade (2º parágrafo).
  3. CImpedido de ser quem sou no trabalho [...], extravaso a minha identidade no consumo (2º parágrafo).
  4. Do trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando (2º parágrafo).
  5. ESuponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna (1º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna (1º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dirigir-se explicitamente ao leitor

Gabarito: letra E. A questão pede o trecho em que o autor fala diretamente com o leitor, usando marcas de interpelação como o imperativo. A única alternativa que faz isso é a E, com o verbo "Suponha".

"Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna"

O imperativo "Suponha" é uma ordem/conselho dirigido ao leitor, caracterizando a função conativa da linguagem. As demais alternativas são afirmações em terceira pessoa ou reflexões do autor sem se dirigir ao leitor.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor"

Afirmação em terceira pessoa. Não há nenhum pronome ou verbo que indique interpelação direta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A compra de bens externos molda a identidade"

Também em terceira pessoa, constatação impessoal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Impedido de ser quem sou no trabalho [...], extravaso a minha identidade no consumo"

Aqui o autor fala de si mesmo (primeira pessoa), mas não se dirige ao leitor. É uma exposição pessoal, não uma interpelação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando"

Citação de Marx, em terceira pessoa, sem dirigir-se ao leitor.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar quando o autor se dirige ao leitor, procure verbos no imperativo (Suponha, Veja, Imagine), pronomes de tratamento (você, o leitor) ou perguntas retóricas diretas.

Gabarito: letra E.

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