Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc069199
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial - Sem Especialidade
Atenção: Leia o texto “Liberdade e necessidade ao revés”, de Eduardo Giannetti, para responder à questão.

    “Por meios honestos se você conseguir, mas por quaisquer meios faça dinheiro”, preconiza - prenhe de sarcasmo - o verso de Horácio. Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos. Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna - um prêmio lotérico, uma indenização milionária, uma inesperada herança. Quem continuaria a fazer o que faz para ganhar a vida caso não fosse mais necessário fazê-lo? Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda - como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha: o território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual. A possibilidade de satisfazer, ainda que parcialmente, nossos desejos e fantasias de consumo se afigura como a merecida recompensa - ou suborno, diriam outros - capaz de atenuar a frustração e aliviar o aborrecimento de ocupações que de outro modo não teríamos e não nos dizem respeito.
       Daí que, na feliz expressão do jovem Marx, “o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando; quando ele está trabalhando, ele não se sente ele mesmo”. - Mas, se o mundo do trabalho está vedado às minhas escolhas e modo de ser; onde poderei expressar a minha individualidade? Impedido de ser quem sou no trabalho - escritório, chão de fábrica, call center, guichê, balcão - , extravaso a minha identidade no consumo - shopping, butique, salão, restaurante, showroom. Fonte de elã vital, o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor. A compra de bens externos molda a identidade e acena com a promessa de distinção: ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia, respeito e admiração pelos demais. Não o que faço, mas o que possuo - e, sobretudo, o que sonho algum dia ter - diz ao mundo quem sou. Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto.

(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)
No texto, o autor estabelece uma oposição entre
  1. Atrabalho e consumo.
  2. Btrabalho e sacrifício.
  3. Ccobiça e dinheiro.
  4. Dconsumo e liberdade.
  5. Esacrifício e frustração.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — trabalho e consumo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oposição entre Trabalho e Consumo – Interpretação de Oposições no Texto

Gabarito: letra A. A única oposição explícita e recorrente no texto é entre trabalho e consumo, conforme se vê já no primeiro parágrafo: 'Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos... ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha' (grifo meu). O conectivo 'ao passo que' sinaliza o contraste. A oposição é reforçada no final: 'Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto' – 'ganho' remete ao trabalho, 'gasto' ao consumo.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto opõe sistematicamente o mundo do trabalho (visto como sacrifício, necessidade, não escolha) ao mundo do consumo (visto como liberdade, identidade, escolha). A passagem central comprova:

'Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos... ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha.'

Portanto, a alternativa A capta exatamente essa oposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O autor não opõe trabalho e sacrifício; ele diz que o trabalho é considerado um sacrifício. Sacrifício é um atributo do trabalho, não seu oposto. A oposição verdadeira é trabalho-consumo, não trabalho-sacrifício. Erro: troca de conceito (atributo por oposto).

Alternativa C — ❌ Incorreta

'Cobiça e dinheiro' aparecem juntos no início ('Desespero, precisão ou cobiça... o dinheiro nos incita...'), mas não há oposição entre eles; são elementos listados como motivações. Erro: fora do escopo (a alternativa fala de algo que não é oposição no texto).

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto associa consumo e liberdade, não os opõe. 'Consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha' – são apresentados como equivalentes, não contrários. Erro: fora do escopo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

'Sacrifício e frustração' são consequências ou sensações ligadas ao trabalho, mas o texto não as opõe entre si. A oposição central está entre trabalho e consumo, não entre sensações negativas. Erro: fora do escopo.

Conclusão: A alternativa A é a única que nomeia os dois polos que o texto deliberadamente contrasta: o trabalho (necessidade, sacrifício) versus o consumo (liberdade, identidade).

Link permanente: /questoes/fc069199