Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2023
- Código
- fc069204
- Banca
- FCC
- Órgão
- MPE-PB
- Ano
- 2023
- Nível
- Médio
- Cargo
- Técnico Ministerial - Sem Especialidade
- Apersonificação.
- Bpleonasmo.
- Cantítese.
- Deufemismo.
- Ehipérbole.
GabaritoA — personificação.
Gabarito: letra A. Drummond constrói todo o conto atribuindo ações e reações tipicamente humanas a uma baleia e à Superintendência da Pesca. A baleia “telegrafou”, “queixou-se”, “obteve registro” – comportamentos que só seres humanos realizam. Essa é a essência da personificação (ou prosopopeia): conferir características humanas a seres inanimados ou animais.
“A baleia telegrafou ao superintendente da Pesca, queixando-se de que estava sendo caçada demais (...)”
A passagem já no primeiro período mostra a baleia agindo como pessoa: telegrafar e queixar-se são ações humanas. O restante do conto mantém essa linha: o superintendente responde em ofício, as baleias providenciam registro, um inspetor examina livros, etc. Tudo gira em torno da humanização dos cetáceos e da burocracia estatal.
A personificação é o recurso que domina o texto. Não há trecho que não atribua atitudes humanas aos animais ou às instituições (como a Superintendência que “respondeu em ofício” a uma baleia). A banca pede a figura “fundamentalmente” utilizada, e é exatamente essa.
Erro: troca de conceito. Pleonasmo é a repetição de uma ideia com palavras diferentes (ex.: “subir para cima”). No conto não há intenção estilística de repetir informações; a linguagem é enxuta e irônica. Não ocorre pleonasmo vicioso nem literário como recurso central.
Erro: troca de conceito. Antítese é a oposição de ideias (ex.: “amor e ódio”). O conto não contrapõe termos antagônicos de modo recorrente. A crítica à burocracia e à exploração não se materializa em antíteses explícitas.
Erro: troca de conceito. Eufemismo suaviza uma ideia desagradável (ex.: “partiu” por “morreu”). Drummond não usa rodeios para amenizar a caça; pelo contrário, a narração é direta e até cômica na descrição dos funcionários devorados. Não há eufemismo como figura principal.
Erro: troca de conceito. Hipérbole é o exagero intencional (ex.: “morrer de rir”). Embora a situação seja absurda (baleia que telegrafa, números que “rabeavam alegremente”), o tom é de ironia e fantasia, não de hipérbole. O exagero não é a figura que sustenta a construção narrativa.
Ao identificar figuras de linguagem, pergunte-se: “Qual recurso é indispensável para que o texto exista como está?”. Se você retirar a personificação, o conto desaba – as baleias voltariam a ser meros animais. Já a hipérbole, o pleonasmo etc. são acessórios que não estruturam a narrativa.
Conclusão: A letra A é a única que nomeia o recurso que perpassa todo o conto. Gabarito: A.
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