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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc069261
Banca
FCC
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área de Apoio Especializado Engenharia Civil

(Gente hospitaleira)


Alguns pensadores definiram a hospitalidade como um modo privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relação ao outro. As praticas de hospitalidade deverão marcar todas as situações da vida, ou seja, a hospitalidade não deverá ficar circunscrita à disponibilidade para receber o turista, o visitante que chega de fora e está de passagem pela cidade; é necessário que esta atitude de acolhimento e cortesia se estenda ao próximo em geral, seja o vizinho, o colega de trabalho ou mesmo um desconhecido.


Outros acentuam que a hospitalidade não pode estar condicionada pelas condições da realidade. A hospitalidade seria antes de mais nada uma disposição da alma, aberta e irrestrita. Ela, como o amor incondicional, em princípio, não rejeita nem discrimina a ninguém. É simultaneamente uma utopia e uma prática. Como utopia representa um dos anseios mais caros da história humana: de ser sempre acolhido independente da condição social e moral e de ser tratado humanamente. Como prática cria as políticas que viabilizam e ordenam a acolhida. Mas, por ser concreta, sofre os desafios, os constrangimentos e as imitações das situações dadas.


A hospitalidade é, para outros ainda, uma maneira de se viver em conjunto regida de modo bem definido por certas regras, ritos e leis. Nesse sentido, a hospitalidade é concebida não apenas como uma forma essencial de interação social, mas também como uma rigorosa forma de humanização, uma das formas administráveis de uma socialização verdadeira.


(Disponível em: https://lbhe.com.br/o-que-e-hospltalldade. Adaptado)

As afirmações, no 2º parágrafo, de que a hospitalidade não pode estar condicionada pelas condições da realidade e de que a hospitalidade sofre os desafios e as limitações das situações dadas
  1. Arepresentam perspectivas que desabonam o valor de quem cultiva ao sentimento natural da hospitalidade.
  2. Bsão complementares, na medida em que ambas desvinculam o mérito da hospitalidade das circunstâncias em que se proponha.
  3. Cconstituem uma oposição invencível, uma vez que a afirmação de uma exclui inteiramente o sentido da outra.
  4. Dfazem ver que a prática da hospitalidade é desafiadora justamente por não se curvar às injunções concretas de sua atuação.
  5. Emostram que o sentimento da hospitalidade é um privilégio vivido sobretudo por aqueles que subestimam os limites da realidade.
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GabaritoD — fazem ver que a prática da hospitalidade é desafiadora justamente por não se curvar às injunções concretas de sua atuação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação entre as duas afirmações do 2º parágrafo

Gabarito: letra D. As duas afirmações – “a hospitalidade não pode estar condicionada pelas condições da realidade” e “a hospitalidade sofre os desafios e as limitações das situações dadas” – não se opõem de forma excludente; antes, revelam a tensão entre o ideal (incondicional) e a prática (concreta). A alternativa D capta essa tensão ao afirmar que a prática é desafiadora justamente por não se curvar às injunções concretas – ou seja, por tentar manter o caráter incondicional mesmo diante das limitações impostas pela realidade.

“Outros acentuam que a hospitalidade não pode estar condicionada pelas condições da realidade … Mas, por ser concreta, sofre os desafios, os constrangimentos e as limitações das situações dadas.”

O texto apresenta a hospitalidade como “simultaneamente uma utopia e uma prática”. O ideal é não se curvar (incondicional), mas a prática, por ser concreta, enfrenta desafios. A afirmação D parafraseia essa ideia: a prática é desafiadora por não se curvar (esforço para manter o ideal) às injunções concretas (limitações da realidade).

  1. 11ª: Ideal incondicional
  2. 22ª: Prática limitada
  3. 3Tensão entre ideal e real
  4. 4Prática desafiadora por não se curvar
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“representam perspectivas que desabonam o valor de quem cultiva o sentimento natural da hospitalidade.”

O texto não faz qualquer juízo sobre desabonar ou desvalorizar quem cultiva hospitalidade. Extrapolação (fora do escopo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

“são complementares, na medida em que ambas desvinculam o mérito da hospitalidade das circunstâncias em que se proponha.”

Apenas a primeira afirmação desvincula; a segunda, explicitamente, vincula a prática às circunstâncias (“sofre … das situações dadas”). Logo, não são complementares nesse sentido. Contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“constituem uma oposição invencível, uma vez que a afirmação de uma exclui inteiramente o sentido da outra.”

O texto não as apresenta como excludentes. Pelo contrário, diz que a hospitalidade é “simultaneamente uma utopia e uma prática”. Não há exclusão, e sim convivência tensa. Contradiz o texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“fazem ver que a prática da hospitalidade é desafiadora justamente por não se curvar às injunções concretas de sua atuação.”

Conforme demonstrado, o ideal de não se curvar (incondicionalidade) e a concretude que impõe desafios são os dois polos que tornam a prática desafiadora. A alternativa sintetiza essa relação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“mostram que o sentimento da hospitalidade é um privilégio vivido sobretudo por aqueles que subestimam os limites da realidade.”

O texto não menciona “privilégio” nem “subestimar os limites”. Extrapolação.

Conclusão: A única alternativa inteiramente amparada no texto é a D, que interpreta a tensão entre o ideal incondicional e a prática limitada como o cerne do desafio da hospitalidade.

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