Exerce a função sintática de sujeito a expressão sublinhada em:
AOnde ser feliz consiste / Apenas em ser feliz. (1ª estrofe).
BNos meus desejos existe / Longinquamente um país (1ª estrofe).
CNesse país por onde erra / Meu longínquo divagar. (3ª estrofe).
DVive-se como se nasce (2ª estrofe).
ETão suave é viver assim / Nesse impossível jardim. (4ª estrofe).
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GabaritoC — Nesse país por onde erra / Meu longínquo divagar. (3ª estrofe).
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Análise sintática do sujeito nos versos de Fernando Pessoa
Gabarito: letra C. A única alternativa em que a expressão sublinhada exerce função de sujeito é a C, pois "Meu longínquo divagar" é o termo que pratica a ação de "errar" (vagar). Nas demais, o trecho destacado exerce outra função: objeto indireto, adjunto adverbial, verbo com sujeito indeterminado ou predicativo. A chave é identificar o núcleo do sujeito e verificar se ele concorda com o verbo.
Identificação do comando
A questão pede que se reconheça, em cada alternativa, a função sintática da expressão sublinhada no próprio poema. Como o sublinhado não está reproduzido no enunciado, é preciso deduzir qual palavra ou trecho a banca destacou. Com base no gabarito (C), conclui-se que:
Na alternativa C, o sublinhado é "Meu longínquo divagar" – sujeito de "erra".
Nas demais, o sublinhado recai sobre termos que não são sujeito: complemento, adjunto, verbo com partícula de indeterminação ou predicativo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Onde ser feliz consiste / Apenas em ser feliz."
A expressão sublinhada é o segundo "ser feliz", que vem após a preposição "em". O verbo "consistir" rege a preposição "em"; logo, "em ser feliz" é objeto indireto (complemento verbal). O sujeito de "consiste" é o primeiro "ser feliz", que não está sublinhado. Erro: atribuir função de sujeito a um complemento preposicionado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Nos meus desejos existe / Longinquamente um país"
A palavra sublinhada é "Longinquamente", um advérbio que modifica o verbo "existe", indicando circunstância de lugar figurado. Advérbios exercem função de adjunto adverbial, não de sujeito. O sujeito de "existe" é "um país", que não está sublinhado. Erro: confundir adjunto adverbial com sujeito.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Nesse país por onde erra / Meu longínquo divagar."
O trecho sublinhado "Meu longínquo divagar" (substantivo composto por adjetivo + substantivo) é o sujeito do verbo "erra" (3ª pessoa do singular). O poeta diz que o divagar (vagar) erra por esse país; portanto, o sujeito pratica a ação do verbo. A concordância é direta: o verbo está no singular porque o núcleo "divagar" é singular. Alternativa correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Vive-se como se nasce"
A expressão sublinhada é "Vive-se", que contém o pronome "se" partícula de indeterminação do sujeito. Nesse caso, o sujeito é indeterminado (alguém vive), e o verbo fica na 3ª pessoa do singular. O termo "Vive-se" é a locução verbal + partícula; não exerce função de sujeito – é o predicado. Erro: confundir verbo com sujeito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Tão suave é viver assim / Nesse impossível jardim."
A palavra sublinhada é "tão suave", que se refere ao sujeito "viver assim", mas funciona como predicativo do sujeito (qualidade atribuída ao sujeito). O sujeito da oração é "viver assim" (oração reduzida de infinitivo). "Tão suave" é um adjetivo que caracteriza o sujeito, não é o sujeito. Erro: confundir predicativo com sujeito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão poética e a ambiguidade de termos que podem parecer sujeito em uma leitura superficial. O aluno deve identificar o núcleo do sujeito e verificar a concordância com o verbo.
PEGA ESSA DICA!
Sempre localize o verbo da oração e pergunte "quem?" ou "o quê?" antes dele. Se a resposta coincidir com o termo sublinhado, ele é sujeito. Em caso de inversão, desfaça a ordem: "viver assim é tão suave" – o sujeito é "viver assim".
Conclusão: Apenas na alternativa C o termo destacado responde à pergunta "quem erra?" – "Meu longínquo divagar". As demais apresentam outras funções sintáticas (objeto indireto, adjunto adverbial, verbo com sujeito indeterminado, predicativo).
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.