Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2023
Português›Morfologia - Verbos
Código
fc070758
Banca
FCC
Órgão
TRT - 18ª Região (GO)
Ano
2023
Nível
Superior
Está plenamente adequada a correlação entre os tempos e os modos verbais na frase:
AA moça fora visitar o soberbo escritor em respeito à amizade que desde os tempos de sua meninice cultivasse com ele.
BFoi tocante a sinceridade das palavras que o grande escritor Machado de Assis houvera dito assim que a moça lhe fez aquela confissão.
CCaso não houvesse entre ambos uma antiga e sólida amizade, a cena de despedida não viesse a despertar a comoção final.
DMal faz a moça sua declaração de saudades e já ouve do mestre as palavras gratas e melancólicas de quem da vida se despede.
EA moça disfarçaria sua emoção inventando uma alegria que o escritor recebera com a melancólica consciência de quem esteja à morte.
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GabaritoD — Mal faz a moça sua declaração de saudades e já ouve do mestre as palavras gratas e melancólicas de quem da vida se despede.
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Correlação verbal – adequação de tempos e modos
Gabarito: letra D. A única alternativa em que há perfeita correlação entre os tempos e modos verbais é a D, pois o presente do indicativo em "faz" e "ouve" expressa ações simultâneas de forma coerente.
A banca cobra o domínio das relações temporais entre verbos em uma mesma frase. Cada alternativa deve ser verificada quanto à compatibilidade lógica e gramatical dos tempos e modos empregados.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O verbo "cultivasse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, mas a oração indica um fato habitual no passado ("desde os tempos de sua meninice"). O adequado seria o pretérito imperfeito do indicativo ("cultivava") ou o mais-que-perfeito do indicativo ("cultivara"). O subjuntivo, usado para hipóteses ou desejos, não se aplica aqui.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Houvera dito" é uma forma composta do mais-que-perfeito do indicativo, hoje arcaica e inadequada para narrar um fato imediatamente anterior a "fez" (pretérito perfeito). O correto seria "dissera" ou "tinha dito". A correlação temporal fica quebrada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Na estrutura condicional com "Caso não houvesse" (pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo), a oração principal exige o futuro do pretérito do indicativo ("viria") ou, no máximo, o futuro do pretérito composto do subjuntivo ("tivesse vindo"). O uso de "viesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) é incompatível, pois mistura tempos que expressam relações hipotéticas distintas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Mal faz a moça sua declaração de saudades e já ouve do mestre as palavras..." – o presente do indicativo em ambos os verbos estabelece uma sequência imediata de ações, perfeitamente adequada. Não há desvio de correlação; o presente histórico ou narrativo é válido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase mistura três tempos distintos: "disfarçaria" (futuro do pretérito), "recebera" (mais-que-perfeito do indicativo) e "esteja" (presente do subjuntivo). A ação de "receber" é anterior a "disfarçar", mas o mais-que-perfeito não se articula com o futuro do pretérito; ademais, o subjuntivo "esteja" não se justifica após "quem". A correlação é incoerente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o conhecimento da regência temporal entre orações, especialmente em estruturas condicionais e em sequências narrativas. Desconfie de formas arcaicas ("houvera dito") e de subjuntivos sem motivação lógica.