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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — FCC 2024

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
fc070863
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial - Sem Especialidade

Atenção: Leia o texto “Liberdade e necessidade ao revés”, de Eduardo Giannetti, para responder às questões de números 6 a 12.


“Por meios honestos se você conseguir, mas por quaisquer meios faça dinheiro”, preconiza - prenhe de sarcasmo - o verso de Horácio. Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos. Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna - um prêmio lotérico, uma indenização milionária, uma inesperada herança. Quem continuaria a fazer o que faz para ganhar a vida caso não fosse mais necessário fazê-lo? Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda - como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha: o território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual. A possibilidade de satisfazer, ainda que parcialmente, nossos desejos e fantasias de consumo se afigura como a merecida recompensa - ou suborno, diriam outros - capaz de atenuar a frustração e aliviar o aborrecimento de ocupações que de outro modo não teríamos e não nos dizem respeito.

Daí que, na feliz expressão do jovem Marx, “o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando; quando ele está trabalhando, ele não se sente ele mesmo”. - Mas, se o mundo do trabalho está vedado às minhas escolhas e modo de ser; onde poderei expressar a minha individualidade? Impedido de ser quem sou no trabalho - escritório, chão de fábrica, call center, guichê, balcão -, extravaso a minha identidade no consumo - shopping, butique, salão, restaurante, showroom. Fonte de elã vital, o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor. A compra de bens externos molda a identidade e acena com a promessa de distinção: ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia, respeito e admiração pelos demais. Não o que faço, mas o que possuo - e, sobretudo, o que sonho algum dia ter - diz ao mundo quem sou. Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto.


(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)

Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda. (1o parágrafo)


Em relação ao trecho que a precede, a oração sublinhada expressa ideia de

  1. Aconsequência.
  2. Bfinalidade.
  3. Ccausa.
  4. Dcondição.
  5. Eproporção.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração sublinhada: valor semântico no texto

Gabarito: letra B. A oração “para obter uma renda” expressa finalidade (propósito) em relação ao fato de nos sujeitarmos ao trabalho. O conectivo “para” é clássico de orações adverbiais finais.

“Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda.”

A ideia é clara: sujeitamo‑nos ao trabalho com o objetivo de obter renda. Trata‑se de uma relação de finalidade.


Alternativa A — ❌ Incorreta

Consequência implicaria um resultado do ato de se sujeitar, mas o trecho indica a intenção anterior (propósito), não o resultado posterior. O texto não diz que a renda é consequência do trabalho; diz que trabalhamos para obtê‑la.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, “para” introduz a finalidade da ação de sujeitar‑se. A banca cobra o reconhecimento da oração subordinada adverbial final.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Causa responderia “por que nos sujeitamos?” com a razão antecedente, mas o trecho responde “com que finalidade?”. Causa seria algo como “porque precisamos de renda”; já o texto diz “para obter renda” – propósito, e não motivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Condição exigiria uma hipótese (se obtivermos renda), mas a oração não expressa condição; expressa o objetivo da ação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Proporção indicaria uma relação de correspondência quantitativa (à medida que…), inexistente no trecho.

PEGA ESSA DICA!

Conectivos típicos de finalidade: “para”, “a fim de”, “com o intuito de”. Já causa usa “porque”, “já que”, “como”. No texto, o “para” é inequívoco.

Gabarito: letra B

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