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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc070866
Banca
FCC
Órgão
MPE-PB
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial - Sem Especialidade

Atenção: Leia o texto “Liberdade e necessidade ao revés”, de Eduardo Giannetti, para responder às questões de números 6 a 12.


“Por meios honestos se você conseguir, mas por quaisquer meios faça dinheiro”, preconiza - prenhe de sarcasmo - o verso de Horácio. Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos. Suponha, entretanto, um súbito e imprevisto bafejo da fortuna - um prêmio lotérico, uma indenização milionária, uma inesperada herança. Quem continuaria a fazer o que faz para ganhar a vida caso não fosse mais necessário fazê-lo? Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda - como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha: o território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual. A possibilidade de satisfazer, ainda que parcialmente, nossos desejos e fantasias de consumo se afigura como a merecida recompensa - ou suborno, diriam outros - capaz de atenuar a frustração e aliviar o aborrecimento de ocupações que de outro modo não teríamos e não nos dizem respeito.

Daí que, na feliz expressão do jovem Marx, “o trabalhador só se sente ele mesmo quando não está trabalhando; quando ele está trabalhando, ele não se sente ele mesmo”. - Mas, se o mundo do trabalho está vedado às minhas escolhas e modo de ser; onde poderei expressar a minha individualidade? Impedido de ser quem sou no trabalho - escritório, chão de fábrica, call center, guichê, balcão -, extravaso a minha identidade no consumo - shopping, butique, salão, restaurante, showroom. Fonte de elã vital, o ritual da compra energiza e a posse ilumina a alma do consumidor. A compra de bens externos molda a identidade e acena com a promessa de distinção: ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia, respeito e admiração pelos demais. Não o que faço, mas o que possuo - e, sobretudo, o que sonho algum dia ter - diz ao mundo quem sou. Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto.


(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016)

No texto, o autor estabelece uma oposição entre
  1. Acobiça e dinheiro.
  2. Bconsumo e liberdade.
  3. Csacrifício e frustração.
  4. Dtrabalho e consumo.
  5. Etrabalho e sacrifício.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — trabalho e consumo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oposição entre trabalho e consumo no texto de Eduardo Giannetti

Gabarito: letra D. O autor estabelece explícita oposição entre trabalho e consumo, contrapondo a submissão no ganho à liberdade no gasto, como se lê no trecho:

"Estamos acostumados a considerar o trabalho como algo a que nos sujeitamos, mais ou menos a contragosto, para obter uma renda - como um sacrifício ou necessidade imposta de fora; ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha"

E ainda no fecho: "Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto".

Oposição no texto (Giannetti)
  • 1Trabalho (ganho)
    • Sujeição
    • Impessoalidade
    • Necessidade
    • Sacrifício
  • 2Consumo (gasto)
    • Liberdade
    • Escolha
    • Expressão da individualidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Cobiça e dinheiro são mencionados, mas não como polos opostos. O texto até os associa: "Desespero, precisão ou cobiça, dentro ou fora da lei: o dinheiro nos incita a fazer o que de outro modo não faríamos." Não há oposição entre eles.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto associa consumo à liberdade, não os opõe. Diz que o consumo é "a esfera por excelência da livre escolha" e "território sagrado para o exercício da nossa liberdade individual". Portanto, são convergentes, não contrários.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sacrifício e frustração são consequências do trabalho, não opostos entre si. O texto afirma que o trabalho é visto como "sacrifício" e que a frustração é atenuada pelo consumo. Não há oposição entre esses dois termos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, o texto constrói uma contraposição entre o mundo do trabalho (sujeição, impessoalidade, necessidade) e o mundo do consumo (liberdade, escolha, expressão da individualidade). A passagem central é: "ao passo que o consumo é tomado como a esfera por excelência da livre escolha". Além disso, o último período sintetiza: "Servo impessoal no ganho, livre e soberano no gasto."

Alternativa E — ❌ Incorreta

Trabalho e sacrifício são, no texto, equivalentes: "o trabalho como algo a que nos sujeitamos... como um sacrifício". Logo, não há oposição; há identificação.

Conclusão: A única oposição claramente estabelecida é entre trabalho e consumo, conforme o gabarito oficial D.

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