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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc071035
Banca
FCC
Órgão
PIAUÍPREV
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Previdenciário
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


"Fala, amendoeira"


     Este oficio de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza. Abrindo a janela, o cronista pousou a vista nas árvores, que estavam todas verdes, menos uma. Essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois da qual as folhas caеm. E como o cronista lhe perguntasse -fala, amendoeira! -por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares a árvore pareceu explicar-lhe:

     - Não vés? Começo a outonear. É 21 de março, data que as folhinhas assinalam o equinócio de outono. Cumpro meu dever de árvore.

     -E vais outoneando sozinha?

    - Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação da primavera, e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga, uma suspeita de inverno.

    - Somos todos assim. 

    -Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.

    - Não me entristeça.

   - Não, querido, sou tua árvore da guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.


(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Fala, amendoeira. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 13-14)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
  1. Aé mais estação da alma que da natureza (6o parágrafo) = é condição mais natural do que anímica
  2. Bestriadas de vermelho, numa gradação fantasista (1º parágrafo) = isentas de rubor, numa progressão ilusória
  3. Cadotando vestes assim particulares (1º parágrafo) = ostentando trajes tão convencionais
  4. Dse reparares bem neste ventinho que me fustiga (4º parágrafo) = se bem atentares para esta aragem consoladora
  5. Emas ainda não se dilui em treva (6º parágrafo) = mesmo que por ora não se dissolva na escuridão
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GabaritoE — mas ainda não se dilui em treva (6º parágrafo) = mesmo que por ora não se dissolva na escuridão

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tradução de sentido de segmentos — paráfrase fiel

Gabarito: alternativa E. A única paráfrase que mantém o sentido original é a que reescreve “mas ainda não se dilui em treva” como “mesmo que por ora não se dissolva na escuridão”. Todas as demais trocam palavras‑chave por antônimos ou falsos sinônimos, contradizendo o texto.

O comando pede a tradução adequada do sentido no contexto. Isso exige que a reescritura preserve a ideia original, sem acrescentar, omitir ou inverter informações. Cada alternativa errada comete um erro de troca de termo (antonímia ou substituição inadequada).

Alternativa A — ❌ Incorreta

“é mais estação da alma que da natureza”

A paráfrase “é condição mais natural do que anímica” inverte a comparação: o original afirma que o outono é mais espiritual (alma) do que natural; a alternativa diz o oposto. Erro: contradiz o texto (troca de termo: alma por natural).

Alternativa B — ❌ Incorreta

“estriadas de vermelho, numa gradação fantasista”

“Estriadas de vermelho” significa listradas/riscadas de vermelho; a paráfrase “isentas de rubor” quer dizer sem vermelhidão. Novamente, sentido oposto. Erro: contradiz o texto (antônimo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

“adotando vestes assim particulares”

“Particulares” aqui tem sentido de próprias, individuais, incomuns; a paráfrase “tão convencionais” aponta para o contrário (comum, usual). Erro: troca de conceito (particular ≠ convencional).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“se reparares bem neste ventinho que me fustiga”

“Fustiga” significa açoita, castiga, fere; a paráfrase “aragem consoladora” atribui ao vento um efeito confortante, que não está no texto. Erro: contradiz o texto (fustiga ≠ consoladora).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“mas ainda não se dilui em treva”

A paráfrase “mesmo que por ora não se dissolva na escuridão” mantém: (a) a ideia de temporariedade (“ainda não” ≈ “por ora não”); (b) o verbo “diluir-se” ≈ “dissolver-se”; (c) “treva” ≈ “escuridão”. A conjunção “mas” é substituída por “mesmo que”, que, no contexto, preserva a ideia de concessão/contraste. Paráfrase fiel — nenhuma informação foi alterada.

PEGA ESSA DICA!

Para verificar a adequação de uma paráfrase, identifique as palavras‑núcleo e confira se o termo escolhido na reescritura é sinônimo no contexto da frase. Desconfie de antônimos e de falsos sinônimos que invertem o sentido.

Conclusão: somente a alternativa E traduz corretamente o segmento sem trair o sentido original. As demais, ao trocarem termos por opositores ou inadequados, tornam‑se incorretas.

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