A metáfora do outono na vida do cronista
Gabarito: letra C. A natureza (a amendoeira) afirma que no cronista "o outono é manifesto e exclusivo" e, em seguida, explica: "são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva" – momento de transição entre um estado (claro/verão) e outro (treva/inverno). Além disso, a árvore adverte que ele deve "outonizar com paciência e doçura", associando a transição à serenidade. A alternativa C parafraseia exatamente essa passagem: um momento da vida em que se transita com serenidade de um estado a outro.
"[...] são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. [...] Quero apenas que outonizes com paciência e doçura."
O trecho prova que o outono no cronista é um período de passagem serena, e não de instabilidade ou imaturidade.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o escritor "guarda um complexo de emoções que o impedem de ser uma pessoa natural". Nada no texto sustenta essa ideia. A natureza, ao contrário, elogia o outono pessoal do cronista e o incentiva a vivê-lo com naturalidade. Erro: extrapolação (acrescenta juízo ausente).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o escritor "se constitui como uma combinação entre elementos de diferentes estações". O texto, porém, afirma que nele o outono é "exclusivo" e "manifesto" – ou seja, predomina uma única estação, não uma mistura. Erro: contradiz o texto (troca "exclusivo" por "combinação").
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, a fala da árvore descreve o outono como uma hora da vida "que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva" – transição entre dois estados – e recomenda que se faça com "paciência e doçura", ou seja, com serenidade. A alternativa parafraseia fielmente o sentido do trecho.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o escritor "se distingue dos homens comuns por conta da intensidade máxima de suas paixões". O texto não menciona paixões, intensidade ou comparação com outros homens. O outono é descrito como estação da alma, mas sem alusão a paixões exacerbadas. Erro: extrapolação (introduz elemento estranho ao texto).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sugere que o cronista "desfruta ainda de uma certa imaturidade que lhe traz vantagens excepcionais". O outono, no texto, é associado a maturidade e à colheita de frutos, não a imaturidade. A palavra "imaturidade" contradiz o tom do conselho da árvore. Erro: contradiz o texto (inverte o sentido de outono como fase madura).
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a C, que capta a ideia de transição serena, explicitada nos trechos citados.
Gabarito: letra C