Relação Executivo-Legislativo no Brasil Contemporâneo
Gabarito: letra A. A relação entre os Poderes Executivo e Legislativo no Brasil caracteriza-se pela crescente complexidade, com criação de mecanismos institucionais que garantem interação constante, tanto em situações de cooperação quanto de conflito – essa é a visão consolidada na literatura sobre presidencialismo de coalizão e o modus operandi da governabilidade.
A banca testa o entendimento de que, no sistema presidencialista brasileiro, o Executivo não age isoladamente; ele negocia permanentemente com o Legislativo por meio de instrumentos constitucionais (medidas provisórias, pedidos de urgência, emendas, liberação de emendas parlamentares, etc.) e de coalizões partidárias. O texto de apoio ressalta que "processos de negociação entre Executivo e Legislativo são o modus operandi do exercício de governar".
Característica | Alternativa A (Gabarito) | Alternativa B | Alternativa C | Alternativa D | Alternativa E |
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Relação Executivo-Legislativo | Interação constante e institucionalizada | Inexistência de instrumentos legislativos do Executivo | Agenda rígida e inflexível | Influência pessoal do presidente | Conflito exacerbado e inflexível |
Mecanismos de interação | Presentes (cooperação e conflito) | Ausentes (falso) | Negociação impedida | Persuasão pessoal | Inviabilizam solução |
Base na literatura | Presidencialismo de coalizão (Figueiredo & Limongi) | Não se sustenta | Contradiz a prática | Reducionista | Não reflete a realidade |
Correção | ✅ Correta | ❌ Incorreta | ❌ Incorreta | ❌ Incorreta | ❌ Incorreta |
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reflete exatamente a dinâmica real: o sistema político brasileiro tornou-se mais complexo, gerando mecanismos de interação que operam tanto em contextos de cooperação (aprovação de projetos de interesse do governo) quanto de conflito (vetos, obstruções, negociações orçamentárias). A ciência política brasileira, especialmente os estudos sobre presidencialismo de coalizão (Figueiredo & Limongi, 1999), confirma que o sucesso governamental depende dessa interação constante e institucionalizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o Executivo não possui qualquer instrumento legislativo constitucional – o que é falso. O presidente da República dispõe de diversos instrumentos: iniciativa de leis, edição de medidas provisórias (CF, art. 62), solicitação de urgência (CF, art. 64, §1º), veto total ou parcial (CF, art. 66), além do poder de agenda e da liderança sobre a coalizão. A inexistência de instrumentos não se sustenta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Declara que a agenda governamental é rígida e impede negociação flexível, não sendo franqueada ao Legislativo a possibilidade de modificá-la. Na prática, o Congresso Nacional pode emendar os projetos do Executivo (dentro dos limites constitucionais), e a negociação é a regra. A própria tramitação de medidas provisórias envolve ampla negociação e alterações. A rigidez total não condiz com o sistema político brasileiro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Superdimensiona o papel da capacidade de persuasão pessoal do presidente. Embora habilidades pessoais possam ajudar, o sucesso legislativo depende muito mais da base de apoio no Congresso, da distribuição de cargos e emendas, e dos instrumentos institucionais. A literatura mostra que presidentes com baixa popularidade podem governar com coalizões sólidas, e presidentes carismáticos podem fracassar sem apoio partidário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve uma relação de conflito exacerbado, com posições inflexíveis que inviabilizam a renovação legislativa. Isso não corresponde à realidade brasileira, onde mesmo em momentos de crise há canais de negociação e produção legislativa. O presidencialismo de coalizão é justamente um sistema que combina conflito e cooperação, e não apenas conflito. A inflexibilidade total levaria ao colapso, o que não ocorre.
Gabarito: letra A.