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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc071236
Banca
FCC
Órgão
SEAD-PI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Governamental - Especialidade: Infraestrutura (Engenharia Civil)
“Que menino especula!”

        Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: - Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino “especula” não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: - Mas perguntar não ofende.

        Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um “speculum”, que fixavam no chão apontado para o alto. Na superficie plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astronomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrónomos foram grandes especulas.

        Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o principio mesmo d inquirição filosófica,

        Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, o tempo cósmico, do destino das esferas - coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os eternos meninos especulas.

(Alcebiades Vilanova, a ecitar) 
É plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verbais na seguinte construção:
  1. AEstou interessado em saber o que houvesse entre o céu e a terra, além do que ensinasse a nossa filosofia.
  2. BEu entendi que ser especula não devesse ser muito elogioso, sobretudo quando sou assim acusado.
  3. COs homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu
  4. DOs antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar a posição e os movimentos dos astros.
  5. EEspecular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana.
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GabaritoC — Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação entre tempos e modos verbais

Gabarito: letra C. A única alternativa que apresenta correlação adequada entre tempos e modos verbais é a C: usa pretérito imperfeito do indicativo na oração principal ("analisavam") e pretérito imperfeito do subjuntivo na subordinada ("viessem a entender"), indicando ação futura em relação ao passado — correlação clássica e correta.

Alternativa

Verbo da oração principal

Verbo(s) da(s) oração(ões) subordinada(s)

Correlação temporal/modal

Correto?

A

"estou" (presente do indicativo)

"houvesse", "ensinasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo)

Presente + passado/hipotético; exige presente do subjuntivo ("haja", "ensine") ou indicativo ("há", "ensina")

B

"entendi" (pretérito perfeito do indicativo)

"devesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo); "sou" (presente do indicativo)

Passado + subjuntivo passado é admissível, mas quebra com "sou" (presente); deveria ser "era" (pretérito imperfeito do indicativo)

C

"analisavam" (pretérito imperfeito do indicativo)

"viessem a entender" (pretérito imperfeito do subjuntivo)

Passado + futuro do pretérito (ação futura em relação ao passado) — correlação clássica e correta

D

"valiam-se" (pretérito imperfeito do indicativo)

"pretendam" (presente do subjuntivo)

Passado + presente; exige passado: "pretendiam" (indicativo) ou "pretendessem" (subjuntivo)

E

"passou a ser" (pretérito perfeito do indicativo)

"formulara" (mais-que-perfeito do indicativo); "instiguem" (presente do subjuntivo)

Passado + passado anterior + presente; correlação quebrada (mistura tempos sem coerência)

Análise de cada alternativa

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Estou interessado em saber o que houvesse entre o céu e a terra, além do que ensinasse a nossa filosofia."

  • O verbo principal "estou" está no presente do indicativo, mas as orações subordinadas usam pretérito imperfeito do subjuntivo ("houvesse", "ensinasse"), que remetem a um tempo passado ou hipotético. A correlação correta exigiria presente do subjuntivo ("haja", "ensine") ou o próprio indicativo ("há", "ensina").

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Eu entendi que ser especula não devesse ser muito elogioso, sobretudo quando sou assim acusado."

  • "Entendi" (pretérito perfeito do indicativo) + "devesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) até que se admite, mas a sequência temporal quebra com "quando sou" (presente do indicativo), que deveria ser "quando era" (pretérito imperfeito do indicativo) para manter a coerência temporal com o passado.

Alternativa C — ✅ Correta

"Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu."

  • "Analisavam" (pretérito imperfeito do indicativo) descreve ação contínua no passado; "viessem a entender" (pretérito imperfeito do subjuntivo) expressa uma ação futura em relação a esse passado, exatamente a correlação esperada (passado + futuro do pretérito).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar a posição e os movimentos dos astros."

  • "Valiam-se" (pretérito imperfeito do indicativo) exige que o verbo da subordinada temporal também esteja no passado: "quando pretendiam" (indicativo) ou "quando pretendessem" (subjuntivo). O presente do subjuntivo "pretendam" quebra a correlação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Especular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana."

  • "Passou a ser" (pretérito perfeito do indicativo) + "formulara" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo): o mais-que-perfeito indica ação anterior a outra passada, mas o sentido é de uma definição atemporal — o correto seria "formula" (presente). Além disso, "instiguem" (presente do subjuntivo) não se harmoniza com o passado do período.

Conclusão: Somente a alternativa C respeita a correlação temporal e modal da língua portuguesa padrão, empregando o imperfeito do indicativo na principal e o imperfeito do subjuntivo (com valor de futuro do pretérito) na subordinada.

PEGA ESSA DICA!

Se vou 'a', volto 'da', crase haverá; Se vou 'a', volto 'de', crase para quê?

Regra do verbo de movimento: substitua o verbo pelo de retorno. Se ao voltar surge 'da' (de+a), há crase no 'a' de ida; se surge apenas 'de', não há crase. Ex.: Vou à (para a) escola / volto da escola = crase.

— Crase — verbos de movimento

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