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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — FCC 2024

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
fc071238
Banca
FCC
Órgão
SEAD-PI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Governamental - Especialidade: Infraestrutura (Engenharia Civil)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

“Fala, amendoeira”

        Este ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza. Abrindo a janela, o cronista pousou a vista nas árvores, que estavam todas verdes, menos uma. Essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, numa gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois da qual as folhas caem. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira! - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:

        — Não vês? Começo a outonear. É 21 de março, data que as folhinhas assinalam o equinócio de outono. Cumpro meu dever de árvore.

        — E vais outoneando sozinha?
        
        — Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação da primavera, e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga, uma suspeita de inverno.

        — Somos todos assim.
        — Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.

        — Não me entristeça.

        — Não, querido, sou tua árvore da quarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parébolas, ritmos, fons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

(Adaptado de: ANDRADE, Carios Drummond. Fala, amendoeira, São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 13-14)| 
Caso o autor do texto optasse pelo uso do discurso indireto, o segmento Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal adotaria a seguinte redação:A árvore me contestou dizendo que
  1. Aem mim, por exemplo, a quem achava outonal, o outono era manifesto e exclusivo.
  2. Ba exemplo de mim, o outono era manifesto e exclusivo, tão outonal quanto eu.
  3. Cteu outono, por exemplo, sendo manifesto e exclusivo, acho bem outonal
  4. Dteu exemplo, manifesto e exclusivo, ela achava suficientemente outonal.
  5. Etal como um exemplo meu, seu outono era também manifesto e exclusivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — em mim, por exemplo, a quem achava outonal, o outono era manifesto e exclusivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição de discurso direto para indireto

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que converte corretamente a fala da árvore para o discurso indireto, ajustando pronomes e tempos verbais conforme a perspectiva do narrador (cronista). No trecho original:

"Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal" (fala da árvore)

Em discurso indireto, o cronista relata: a árvore disse que em mim (pois a árvore se dirigia a ele) o outono era manifesto e exclusivo, e que a quem achava outonal (transformando "acho-te" em oração adjetiva com verbo no pretérito imperfeito). As demais alternativas incorrem em erros de ajuste pronominal ou alteram o sentido original.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reproduz fielmente a fala: "em mim" corresponde a "em ti" (o cronista reporta a referência a si mesmo), "a quem achava outonal" substitui "acho-te" (com o verbo no imperfeito, mantendo a ideia de que a árvore o considerava outonal), e "o outono era manifesto e exclusivo" mantém o predicado original no pretérito imperfeito. A estrutura é gramatical e semanticamente coerente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A exemplo de mim" altera o sentido: a árvore não disse "a exemplo de mim", mas "em ti" (referindo-se ao cronista). A expressão "tão outonal quanto eu" também é invenção, pois a árvore não se comparou ao cronista. Erro: troca de conceito (substitui a relação espacial por comparação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Mantém o verbo "acho" na primeira pessoa do singular, inadequado no discurso indireto (deveria ser "achava") e conserva "teu outono" (segunda pessoa), que deveria ser "seu outono" ou equivalente. Além disso, a oração "sendo manifesto e exclusivo" não é uma transcrição adequada. Erro: troca de conceito (não ajusta pessoa e tempo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Inverte o sujeito: "ela achava" coloca a árvore como sujeito, mas o complemento "teu exemplo, manifesto e exclusivo" não corresponde ao original. A árvore disse que o outono do cronista era manifesto, não que o exemplo dele o era. Erro: troca de conceito (altera o referente).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Tal como um exemplo meu" insere uma comparação inexistente. O original não menciona "exemplo meu". A afirmação "seu outono era também manifesto e exclusivo" até se aproxima, mas o acréscimo da comparação deturpa o sentido. Erro: troca de conceito (acrescenta elemento estranho ao texto).

Conclusão: A única alternativa que respeita as regras de transposição do discurso direto para o indireto, sem acrescentar ou modificar o sentido, é a letra A.

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