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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc071359
Banca
FCC
Órgão
SEPLAN-PI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Governamental - Especialidade Infraestrutura (Arquitetura e Urbanismo)
Atenção: Leia o trecho inicial do conto "O escrivão Coimbra", de Machado de Assis, para responder à questão.


    Aparentemente há poucos espetáculos tão melancólicos como um ancião comprando um bilhete de loteria. Bem considerado, é alegre; essa persistência em crer, quando tudo se ajusta ao descrer, mostra que a pessoa é ainda forte e moça. Que os dias passem e com eles os bilhetes brancos, pouco importa; o ancião estende os dedos para escolher o número que há de dar a sorte grande amanhã, -ou depois, - um dia, enfim, porque todas as coisas podem falhar neste mundo, menos a sorte grande a quem compra um bilhete com fé.

    Não era a fé que faltava ao escrivão Coimbra. Também não era a esperança. Uma coisa não vai sem outra. Não confundas a fé na Fortuna com a fé religiosa. Também tivera esta em anos verdes e maduros, chegando a fundar uma irmandade, a irmandade de S. Bernardo, que era o santo de seu nome; mas aos cinquenta, por efeito do tempo ou de leituras, achou-se incrédulo.

    Não deixou logo a irmandade; a esposa pôde contê-lo no exercício do cargo de mesário e levava-o às festas do santo; ela, porém, morreu, e o viúvo rompeu de vez com o santo e o culto. Resignou o cargo da mesa e fez-se irmão remido para não tornar lá. Não buscou arrastar outros nem obstruir o caminho da oração; ele é que já não rezava por si nem por ninguém. Com amigos, se eram do mesmo estado de alma, confessava o mal que sentia da religião. Com familiares, gostava de dizer pilhérias sobre devotas e раdres.

    Aos sessenta anos, já não cria em nada, fosse do céu ou da terra, exceto a loteria. A loteria sim, tinha toda a sua fé e esperança. Poucos bilhetes comprava a principio, mas a idade e depois a solidão vieram apurando aquele costume e o levaram a não deixar passar loteria sem bilhete. 

    Nos primeiros tempos, não vindo a sorte grande, prometia não comprar mais bilhetes, e durante algumas loterias cumpria a promessa. Mas lá aparecia alguém que o convidava a ficar com um bonito número, comprava o número e esperava. Assim veio andando pelo tempo fora até chegar aquele em que loterias rimaram com dias, e passou a comprar seis bilhetes por semana; repousava aos domingos.


(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Contos: uma antologia, volume II. São Paulo: Companhia das Letras, 1998)
- Não comprarei mais bilhetes - prometeu então o escrivão Coimbra.


Ao se transpor o texto acima para o discurso indireto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
  1. Acompraria
  2. Bcomprava
  3. Ccomprara
  4. Dcomprasse
  5. Ecompro
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — compraria

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição para o discurso indireto – Futuro do pretérito

Gabarito: letra A. A frase original "Não comprarei mais bilhetes" está no discurso direto, com o verbo "comprarei" no futuro do presente do indicativo. Ao transpô-la para o discurso indireto, o verbo principal da fala reportada deve sofrer uma alteração temporal: como o verbo introdutor "prometeu" está no pretérito perfeito, o futuro do presente transforma-se em futuro do pretérito do indicativo (condicional), ou seja, compraria. Essa é a regência clássica de concordância dos tempos no discurso indireto.

  1. 1Verbo introdutor no passado
  2. 2Futuro do presente (direto)
  3. 3Futuro do pretérito (indireto)
  4. 4Resultado: compraria
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não comprarei mais bilhetes" → prometeu que não compraria mais bilhetes.

A transposição segue a norma: futuro do presente (direto) vira futuro do pretérito (indireto) quando o verbo de elocução está no passado. Portanto, "compraria" é a forma exigida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Comprava" é pretérito imperfeito do indicativo, que corresponderia no discurso direto a um presente ou a uma ação habitual. A banca tentou confundir com o pretérito imperfeito, mas a frase original tem futuro, não presente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Comprara" é pretérito mais-que-perfeito do indicativo, que no discurso direto equivaleria a um pretérito perfeito ou a um fato anterior a outro passado. Não há correspondência com o futuro do presente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Comprasse" é pretérito imperfeito do subjuntivo, usado em orações subordinadas com valor hipotético ou de desejo. Não se aplica à transposição de uma afirmação no futuro do indicativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Compro" é presente do indicativo. No discurso indireto, presente vira pretérito imperfeito, mas aqui o original é futuro, não presente.

PEGA ESSA DICA!

Memorize a tabela de transposição: futuro do presente → futuro do pretérito; presente → pretérito imperfeito; pretérito perfeito → pretérito mais-que-perfeito. O verbo introdutor no passado é o gatilho.

Gabarito: letra A.

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