Um analista de mercado, ao considerar as perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro, faz a seguinte afirmação: "Qual é a pressão negativa (para o crescimento do PIB)? No limite, se você tem uma atividade mais alta, você importa mais. Então, eu diria que um risco na conta são as importações."(Adaptado de: David Beker. Folha de São Paulo. Mercado página 3. 11/06/2024)A partir desse texto, deduz-se que
Aa análise é correta, pois, nos últimos cinco anos, a economia brasileira apresenta déficit comercial crônico.
Ba afirmação se sustenta pelo próprio cálculo do PIB que considera as chamadas "Exportações Líquidas".
Ca análise não se sustenta, pois o impacto das importações sobre o Produto é desprezível.
Da análise está correta quando se pensa, apenas, em Produto Nacional Bruto.
Ea afirmação está correta porque, ao citar as Importações, o analista demonstra preocupação com o "Deflator do PIB".
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GabaritoB — a afirmação se sustenta pelo próprio cálculo do PIB que considera as chamadas "Exportações Líquidas".
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Contabilidade Nacional e o Cálculo do PIB
Gabarito: letra B. A afirmação do analista se sustenta porque, na ótica da despesa, o PIB é calculado como a soma do consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas (exportações menos importações). Importações maiores reduzem as exportações líquidas e, portanto, pressionam negativamente o crescimento do PIB.
A questão testa o conhecimento básico da identidade do PIB pela ótica da despesa, que é ensinada nos manuais de Contas Nacionais. Conforme o material de apoio, em uma economia aberta e com governo, a Despesa Agregada (ou Demanda Agregada) é dada por:
onde é consumo, investimento, gastos do governo, exportações e importações. As importações entram com sinal negativo, pois representam bens e serviços produzidos no exterior e consumidos internamente, que não fazem parte da produção doméstica. Logo, um aumento nas importações reduz o PIB, exatamente como o analista apontou.
PIB (ótica da despesa)
1Fórmula
C (consumo)
I (investimento)
G (gastos do governo)
X (exportações)
M (importações)
2Exportações líquidas (X - M)
Aumento de M → redução do PIB
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a análise é correta por haver déficit comercial crônico. Embora o Brasil já tenha tido déficits comerciais, isso não é o fundamento da afirmação. O ponto central é mecânico: independentemente do saldo, as importações subtraem do PIB. A alternativa ainda traz uma generalização empírica que pode ser falsa (o Brasil tem superávits em alguns anos).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação se sustenta exatamente porque o PIB, pelo cálculo da despesa, considera as exportações líquidas . Se as importações crescem, as exportações líquidas caem e o PIB diminui. O analista corretamente identifica esse risco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o impacto das importações sobre o PIB é desprezível. Isso é falso: as importações são um componente relevante da demanda agregada, e variações nas importações podem afetar significativamente o PIB.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a análise só vale para o Produto Nacional Bruto (PNB). Na verdade, o mesmo raciocínio se aplica ao PIB: ambos incluem as importações com sinal negativo na ótica da despesa. Além disso, o texto original fala explicitamente em "Produto Interno Bruto".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Relaciona as importações ao Deflator do PIB, que é uma medida de preços, não de quantidade. A preocupação do analista é com o crescimento real do PIB, não com o nível de preços.
PEGA ESSA DICA!
Grave a identidade macroeconômica básica: . Toda vez que uma questão falar de "pressão negativa" de importações sobre o PIB, lembre-se do sinal negativo na fórmula. A banca adora testar esse ponto de forma simples, mas com distratores que desviam a atenção para déficit comercial, PNB ou deflator.