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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc071422
Banca
FCC
Órgão
SEPLAN-PI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Governamental - Especialidade Infraestrutura (Engenharia Civil)
"Que menino especula!"


     Eu era um menino muito perguntador, como quase todas as crianças, e volta e meia tinha que ouvir de um adulto: - Mas você é especula, hein? E eu via logo que ser um menino "especula" não devia ser muito bonito. Nem por isso guardava minhas armas de perguntador: continuava a especular sobre tudo o que não entendia. Eu ainda não conhecia a réplica justa a quem me acusasse de especula: - Mas perguntar não ofende...

    Mais tarde tive a minha vingança. Aprendi que especular é investigar, pesquisar, refletir... Aprendi mais: que os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam a formação de suas andanças no espaço, seus movimentos regulares. Não contando ainda com a sofisticação de telescópios, valiam-se os antigos de um espelho, um "speculum", que fixavam no chão apontado para o alto. Na superficie plana do espelho refletiam-se os astros iluminados no céu, e nela os astrônomos pioneiros iam marcando a posição e os movimentos dos corpos celestes. Era isso o que também se entendia por especular: observar algo por meio do reflexo de um espelho. Os primeiros astrônomos foram grandes especulas.

    Com o tempo, especulação passou a designar um processo mental abstrato, que formula hipóteses e elabora ideias. Pensamento especulativo, para muitos, é o princípio mesmo da inquirição filosófica.

   Portanto, fui mesmo, e com muita honra, um menino especula, sim senhor. Como quase todas as crianças, estava interessado em saber quanta coisa havia entre o céu e a terra que ia além da nossa filosofia, ou dos nossos olhos terrestres. Da minha maneira, acionava o espelho da minha curiosidade para saber mais coisas dos astros do céu, do tempo cósmico, do destino das esferas -coisas que mesmo um telescópio espacial está longe de conseguir esclarecer, para poder satisfazer os eternos meninos especulas. 


(Alcebíades Villanova, a editar)
É plenamente adequada a correlação entre tempos e modos verbais na seguinte construção:
  1. AEstou interessado em saber o que houvesse entre o céu e a terra, além do que ensinasse a nossa filosofia.
  2. BEu entendi que ser especula não devesse ser muito elogioso, sobretudo quando sou assim acusado.
  3. COs homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu.
  4. DOs antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar a posição e os movimentos dos astros.
  5. EEspecular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana.
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GabaritoC — Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da questão — Correlação de tempos e modos verbais

Gabarito: letra C. A única alternativa com correlação temporal coerente é a C, que emprega "analisavam" (pretérito imperfeito do indicativo) e "viessem a entender" (pretérito imperfeito do subjuntivo composto) para expressar uma expectativa no passado. As demais alternativas apresentam desvios de correlação, como mistura de tempos incompatíveis.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar a correlação verbal, identifique o tempo e o modo da oração principal e verifique se a oração subordinada expressa anterioridade, simultaneidade ou posterioridade de forma coerente. Use a lógica temporal: presente combina com presente/subjuntivo presente; passado combina com passado (imperfeito, perfeito, mais-que-perfeito ou subjuntivo imperfeito).

Alternativa

Verbo(s) da oração principal (tempo/modo)

Verbo(s) da oração subordinada (tempo/modo)

Problema de correlação

A

"Estou interessado" (presente do indicativo)

"houvesse" / "ensinasse" (pretérito imperfeito do subjuntivo)

Presente exige presente do subjuntivo ("haja", "ensine"); imperfeito do subjuntivo quebra a correlação

B

"entendi" (pretérito perfeito do indicativo)

"devesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) + "sou" (presente do indicativo)

Mistura passado (perfeito + imperfeito do subjuntivo) com presente ("sou"); "quando" exige coerência temporal

C

"analisavam" (pretérito imperfeito do indicativo)

"viessem a entender" (pretérito imperfeito do subjuntivo composto)

Correlação perfeita: passado habitual + futuro do pretérito expresso por subjuntivo imperfeito composto

D

"valiam-se" (pretérito imperfeito do indicativo)

"pretendam" (presente do subjuntivo)

Passado exige pretérito imperfeito do subjuntivo ("pretendessem") ou futuro do pretérito do indicativo ("pretenderiam")

E

"passou a ser" (pretérito perfeito do indicativo)

"formulara" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) + "instiguem" (presente do subjuntivo)

Mistura passado (perfeito + mais-que-perfeito) com presente do subjuntivo; "instiguem" deveria ser "instigassem" (imperfeito do subjuntivo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A construção "Estou interessado ... o que houvesse ... ensinasse" mistura presente do indicativo com pretérito imperfeito do subjuntivo. Para expressar incerteza no presente, o esperado seria "haja" e "ensine" (presente do subjuntivo). O uso de "houvesse" remete a um tempo passado hipotético, quebando a correlação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Eu entendi ... não devesse ser ... quando sou acusado" combina pretérito perfeito (entendi) e imperfeito do subjuntivo (devesse) com presente do indicativo (sou). A conjunção temporal "quando" exige coerência: se o fato ocorria no passado, deveria ser "quando era acusado" (imperfeito) ou "quando fui acusado" (perfeito).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Os homens mais curiosos analisavam os astros na esperança de que viessem a entender seus périplos no céu." O verbo "analisavam" (imperfeito do indicativo) situa a ação no passado habitual. A locução "na esperança de que" exige subjuntivo, e "viessem a entender" (imperfeito do subjuntivo composto) expressa uma ação futura em relação ao passado, indicando expectativa. A correlação é perfeita: passado + futuro do pretérito expresso por subjuntivo imperfeito composto.

No texto-base, lemos: "os homens muito curiosos, de muito antigamente, olhavam os astros no céu pra ver se entendiam..." — a correlação original usa o imperfeito "olhavam" com o imperfeito "entendiam"; a alternativa C opta por uma construção mais formal com subjuntivo, igualmente correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os antigos valiam-se de um espelho quando pretendam demarcar..." O imperfeito "valiam-se" exige um tempo passado na oração subordinada: "quando pretendiam" (imperfeito do indicativo) ou "quando pretendessem" (imperfeito do subjuntivo, para hipótese). "Pretendam" (presente do subjuntivo) é incompatível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Especular passou a ser um processo que formulara hipóteses e ideias que instiguem a curiosidade humana." "Passou a ser" (pretérito perfeito) indica um marco passado. O verbo "formulara" (mais-que-perfeito do indicativo) expressa ação anterior a outra passada, mas aqui não há essa relação; o correto seria "formula" (presente) ou "formulava" (imperfeito). Além disso, "instiguem" (presente do subjuntivo) fica solto sem coerência com o mais-que-perfeito.

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