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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2024

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc071476
Banca
FCC
Órgão
TJ-AL
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico Judiciário - Área Judiciária
Estatuto do Amor


    1. Não esperes aquele ano em que, por obra de lua violência, a tua família seja dizimada, para só então descobrires a gravidade indizível de tua infâmia. Para saberes que gozo terias sentido se, em vez de matá-la, a tivesses levado ao peito enquanto vivia.

    2. Mergulha, sim, na liturgia do amor e renuncia à tua descabida ira. O amor é e será sempre teu melhor gesto na terra. O único capaz de projetar luz sobre esta precária existência humana.

    3. Não permitas que, sob o jugo de tua ira, mulher e filhos fiquem ao desabrigo da sorte, ingrata e imprevidente.

    4. Defende o teu lar de ti mesmo. Da tua ferocidade, da tua paixão desenfreada, da ânsia de golpear, de mutilar, de maltratar, como se te coubesse este desapiedado e falso exercício da justiça.

     5. Mas se, no futuro, o amor à mulher se esgote, não é razão para deixar em seu lugar os traços do desamor, o estigma da maldade. Nenhum pedaço de carne humana merece ser golpeado pela indiferença, pela violência, pela injustiça. Portanto, não abatas a tiro, a tapas, a arranhões, o corpo da mulher.

    6. Não lhe negues, então, o olhar compassivo, as lágrimas conspurcadas por uma realidade que traiu teus sonhos. Quem quer que esteja no recinto sagrado do lar é, ao mesmo tempo, o sucessor do teu horror e da lua capacidade de maravilhar-se.

    7. Aprenda que o outro é o teu lar. É o teu corpo, o teu nome, o teu outro rosto. É o verso e o reverso de tuas entranhas. É o espelho de tua irrenunciável humanidade.


(Adaptado de: PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019. pp. 15-18)
No segmento: Não permitas que, sob o jugo de tua ira, mulher e filhos fiquem ao desabrigo da sorte, ingrata e imprevidente. Defende o teu lar de ti mesmo. (3º e 4º parágrafos), o uso do modo imperativo
  1. Arevela a intenção de chamada à consciência e captura sensível de um receptor hipotético.
  2. Breforça o caráter moralizante do texto, que pretende delimitar o que cabe a cada um dos membros de uma família ideal.
  3. Cdescreve uma ação efetiva a ser realizada por todos os membros de uma família.
  4. Dlema função de destacar a precariedade das relações humanas fora do âmbito familiar.
  5. Eaproxima afetivamente o leitor das ideias expostas, por meio de uma informalidade discursiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — revela a intenção de chamada à consciência e captura sensível de um receptor hipotético.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do Uso do Modo Imperativo no Texto

Gabarito: letra A. O uso do imperativo no trecho “Não permitas que…” e “Defende o teu lar…” tem a função de apelar à consciência do leitor, convocando-o a refletir sobre suas atitudes, e não de impor ordens ou descrever ações concretas. O autor dirige-se a um interlocutor hipotético (o “tu” genérico), buscando sensibilizá-lo, como se vê em todo o texto: “Mergulha, sim, na liturgia do amor”, “Aprenda que o outro é o teu lar”.

Trecho: “Não permitas que, sob o jugo de tua ira, mulher e filhos fiquem ao desabrigo da sorte, ingrata e imprevidente. Defende o teu lar de ti mesmo.”

A opção A capta exatamente essa intenção de chamada à consciência e captura sensível. Já as demais alternativas ou extrapolam, ou restringem ou contradizem o texto.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O imperativo é usado para convocar o leitor a uma tomada de consciência, não como ordem prática. O texto é poético-reflexivo, e o “tu” é um receptor hipotético, qualquer pessoa que possa se identificar com a situação descrita. A “captura sensível” ocorre pela linguagem figurada e apelo emocional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não delimita papéis para membros de uma “família ideal”; ele adverte o sujeito (possivelmente o homem) contra a violência doméstica, mas não define o que cabe a cada um. Não há menção a uma estrutura familiar idealizada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Os imperativos estão dirigidos a um único interlocutor (“tu”), não a todos os membros da família. A frase “Defende o teu lar de ti mesmo” é claramente pessoal. Além disso, não descreve uma ação efetiva (realizada), mas uma recomendação/reflexão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema. O texto trata de relações dentro do lar (violência, amor, respeito), não da precariedade das relações humanas fora dele. O imperativo foca no comportamento dentro de casa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O texto não é informal; ao contrário, usa linguagem literária, solene (“jugo”, “desabrigo da sorte”, “liturgia do amor”). O imperativo formal (“Defende”, “Não permitas”) não cria informalidade, e sim um tom de exortação solene.

Conclusão: A alternativa A é a única que descreve corretamente a função do imperativo no contexto: apelo à consciência do leitor, sem tom moralizante restritivo, sem descrição de ações, sem foco externo e sem informalidade.

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