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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc071478
Banca
FCC
Órgão
TJ-AL
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Técnico Judiciário - Área Judiciária
Estatuto do Amor


    1. Não esperes aquele ano em que, por obra de lua violência, a tua família seja dizimada, para só então descobrires a gravidade indizível de tua infâmia. Para saberes que gozo terias sentido se, em vez de matá-la, a tivesses levado ao peito enquanto vivia.

    2. Mergulha, sim, na liturgia do amor e renuncia à tua descabida ira. O amor é e será sempre teu melhor gesto na terra. O único capaz de projetar luz sobre esta precária existência humana.

    3. Não permitas que, sob o jugo de tua ira, mulher e filhos fiquem ao desabrigo da sorte, ingrata e imprevidente.

    4. Defende o teu lar de ti mesmo. Da tua ferocidade, da tua paixão desenfreada, da ânsia de golpear, de mutilar, de maltratar, como se te coubesse este desapiedado e falso exercício da justiça.

     5. Mas se, no futuro, o amor à mulher se esgote, não é razão para deixar em seu lugar os traços do desamor, o estigma da maldade. Nenhum pedaço de carne humana merece ser golpeado pela indiferença, pela violência, pela injustiça. Portanto, não abatas a tiro, a tapas, a arranhões, o corpo da mulher.

    6. Não lhe negues, então, o olhar compassivo, as lágrimas conspurcadas por uma realidade que traiu teus sonhos. Quem quer que esteja no recinto sagrado do lar é, ao mesmo tempo, o sucessor do teu horror e da lua capacidade de maravilhar-se.

    7. Aprenda que o outro é o teu lar. É o teu corpo, o teu nome, o teu outro rosto. É o verso e o reverso de tuas entranhas. É o espelho de tua irrenunciável humanidade.


(Adaptado de: PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019. pp. 15-18)
O “estatuto do amor” sugerido no texto
  1. Apretende instaurar um regulador moral para o papel feminino na vida doméstica.
  2. Brepele a ideia da autoridade masculina fundamentada no exercício da violência.
  3. Crestringe a experiência humana plena à vida familiar.
  4. Datribui ao homem o exercício integral da justiça, tanto na esfera pública quanto privada.
  5. Ealerta-nos para a necessidade de se defender o lar de ameaças externas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — repele a ideia da autoridade masculina fundamentada no exercício da violência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do "Estatuto do Amor"

Gabarito: letra B. O texto repele claramente a ideia de autoridade masculina baseada na violência. Isso é demonstrado nos imperativos que condenam a "ira", a "violência", a "ânsia de golpear" e exortam a "defender o lar de ti mesmo". A alternativa B é a única que capta essa rejeição central.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola: o texto não regula o papel feminino, mas sim o comportamento do homem. Em momento algum se discute o que cabe à mulher; a ênfase está na renúncia à violência masculina.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto inteiro é um apelo para que o homem não use violência contra a mulher e os filhos. Trechos como "não abatas a tiro, a tapas, a arranhões, o corpo da mulher" e "renúncia à tua descabida ira" comprovam que a autoridade masculina não deve se fundamentar na agressão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa restringe indevidamente: o texto fala em amor como o "melhor gesto na terra", mas não limita a experiência humana à vida familiar. Há uma exaltação do amor, não uma restrição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O texto contradiz essa afirmação: chama de "falso exercício da justiça" a pretensão de aplicar violência como forma de justiça (parágrafo 4: "como se te coubesse este desapiedado e falso exercício da justiça"). Portanto, não atribui ao homem o exercício integral da justiça.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa tangencia o tema: o texto alerta para "defender o teu lar de ti mesmo", ou seja, de ameaças internas (a própria ferocidade), e não de ameaças externas. Troca o sentido do alerta.

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