Interpretação do poema "Vozes-Mulheres"
Gabarito: letra B. O poema de Conceição Evaristo traça a trajetória de vozes femininas de diferentes gerações, partindo da bisavó (no navio negreiro) até a filha, que recolhe todas as vozes e anuncia o eco da vida-liberdade. A reflexão do eu-lírico sobre sua própria identidade está ancorada na herança cultural e na memória ancestral, confirmando que a consciência identitária é fruto de uma construção cultural.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O poema não é constituído apenas por verbos no passado. A primeira estrofe usa "ecoou" (pretérito), mas a quarta estrofe emprega "ecoa" (presente): "A minha voz ainda / ecoa versos perplexos". A última estrofe também usa verbos no presente ("recolhe", "fará ouvir"). Além disso, o eu-lírico não se diferencia totalmente dos antepassados; ao contrário, sua voz ecoa as experiências deles. A alternativa contradiz o texto ao generalizar o tempo verbal e ao afirmar uma ruptura que não existe.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O poema é uma reflexão sobre a própria história do eu-lírico feminino. A quarta estrofe mostra que sua voz "ecoa versos perplexos com rimas de sangue e fome", conectando-se às vozes anteriores. A última estrofe é decisiva: "A voz de minha filha / recolhe todas as nossas vozes / recolhe em si / as vozes mudas caladas / engasgadas nas gargantas". A filha incorpora o legado cultural e, ao mesmo tempo, representa a possibilidade de liberdade: "Na voz de minha filha / se fará ouvir a ressonância / o eco da vida-liberdade". Assim, a identidade do eu-lírico (e a da filha) é construída pela herança cultural das ancestrais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A terceira estrofe descreve a mãe: "A voz de minha mãe / ecoou baixinho revolta / no fundo das cozinhas alheias". Ela não é completamente silenciada — há revolta, ainda que baixinho. Também não é incapaz de perceber as violências; a revolta já denuncia a opressão. A alternativa extrapola ao afirmar silêncio total e incapacidade de percepção, ignorando o termo "revolta".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A última estrofe mostra a filha como agente de transformação: "Na voz de minha filha / se fará ouvir a ressonância / o eco da vida-liberdade". Ela é capaz de reagir e de trazer liberdade. As outras mulheres também reagem de alguma forma: a bisavó com lamentos, a avó com obediência (que é uma forma de reação passiva), a mãe com revolta. Afirmar que todas são incapazes de reagir contradiz o texto, especialmente a última estrofe.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O poema não destaca a superioridade das mulheres contemporâneas, nem sugere que deixaram para trás a história dos antepassados. Pelo contrário, a filha "recolhe todas as nossas vozes", integrando o passado. A última estrofe celebra a continuidade e a ressonância, não a superação ou abandono. A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de "superioridade" e "deixar para trás", que não estão no poema.
Gabarito: letra B