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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc071545
Banca
FCC
Órgão
TRF - 3ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária
Quando, no 3º terceiro parágrafo, o autor se refere à busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade, ele está querendo demonstrar
  1. Aa universalidade das leis naturais em oposição à variação mesma das discutíveis leis morais.
  2. Bo poder da mente humana quando calcado na contestação platônica da existência das formas ideais.
  3. Co desapego que os homens ao tempo do Iluminismo mantinham em relação aos valores morais.
  4. Do inconformismo radical de Platão quanto ao prestígio exagerado de que gozava a matemática.
  5. Ea racionalidade das leis morais presente na observação dos comportamentos da natureza.
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GabaritoA — a universalidade das leis naturais em oposição à variação mesma das discutíveis leis morais.

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Interpretação do 3º parágrafo – Oposição entre leis naturais e leis humanas

Gabarito: letra A. No terceiro parágrafo, o autor demonstra a universalidade das leis naturais em contraste com a variação das leis morais humanas. Ao mencionar a "busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade", ele retoma o argumento anterior de que as leis da Natureza, por sua precisão e universalidade, inspiraram pensadores a tomá-las como modelo para as leis humanas. A passagem que sustenta a resposta está no fim do segundo parágrafo e início do terceiro:

"Por outro lado, a precisão das leis da Natureza, sua universalidade, vem inspirando muitos pensadores a usá-las como base para todas as leis, incluindo as leis dos homens. Basta lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade que caracterizou o Iluminismo."

Logo, o trecho é um exemplo da influência da universalidade das leis naturais sobre a tentativa de racionalizar as leis humanas – exatamente o que a alternativa A afirma: "a universalidade das leis naturais em oposição à variação mesma das discutíveis leis morais".


Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, o parágrafo expõe a contraposição entre a universalidade das leis da Natureza e a variabilidade das leis dos homens (baseadas em valores morais que mudam com cultura e tempo). A frase "lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade" ilustra justamente essa tentativa de aplicar o modelo natural (universal) ao âmbito social, confirmando a tese central do texto.


Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o autor quer demonstrar "o poder da mente humana quando calcado na contestação platônica da existência das formas ideais". O texto, porém, não fala em contestação; ao contrário, refere-se a Platão com veneração pelo poder da matemática e da mente (3º parágrafo: "há no pensamento desse filósofo [...] um senso de veneração com o poder da matemática"). A menção a Platão é uma ilustração da busca por verdades eternas a partir da observação da Natureza, não uma contestação. A alternativa contradiz o texto e extrapola o sentido.


Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o autor demonstra "o desapego que os homens ao tempo do Iluminismo mantinham em relação aos valores morais". O texto não afirma que os iluministas eram desapegados de valores morais; apenas que buscavam fundamentar leis sociais na racionalidade. Além disso, o contexto geral do texto mostra que as leis dos homens são baseadas em valores morais, e o Iluminismo tentou buscar uma racionalidade universal, mas isso não implica "desapego". É uma extrapolação (fora do escopo).


Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma "o inconformismo radical de Platão quanto ao prestígio exagerado de que gozava a matemática". O texto diz exatamente o oposto: Platão tinha "veneração com o poder da matemática". Portanto, a alternativa contradiz diretamente o texto (troca de conceito: veneração por inconformismo).


Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe "a racionalidade das leis morais presente na observação dos comportamentos da natureza". O texto não diz que as leis morais são racionais; afirma que as leis da Natureza são universais e que alguns pensadores tentaram usá-las como base para leis humanas. As leis dos homens (morais) são caracterizadas como variáveis e discutíveis, não como racionais. A alternativa confunde o objeto da racionalidade: o que é racional são as leis da Natureza, não as leis morais. Erro de generalização indevida.


Conclusão: A única alternativa inteiramente amparada pelo texto é a A, que capta a oposição central do parágrafo entre a universalidade das leis naturais e a variação das leis morais.

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