Interpretação do 3º parágrafo – Oposição entre leis naturais e leis humanas
Gabarito: letra A. No terceiro parágrafo, o autor demonstra a universalidade das leis naturais em contraste com a variação das leis morais humanas. Ao mencionar a "busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade", ele retoma o argumento anterior de que as leis da Natureza, por sua precisão e universalidade, inspiraram pensadores a tomá-las como modelo para as leis humanas. A passagem que sustenta a resposta está no fim do segundo parágrafo e início do terceiro:
"Por outro lado, a precisão das leis da Natureza, sua universalidade, vem inspirando muitos pensadores a usá-las como base para todas as leis, incluindo as leis dos homens. Basta lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade que caracterizou o Iluminismo."
Logo, o trecho é um exemplo da influência da universalidade das leis naturais sobre a tentativa de racionalizar as leis humanas – exatamente o que a alternativa A afirma: "a universalidade das leis naturais em oposição à variação mesma das discutíveis leis morais".
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, o parágrafo expõe a contraposição entre a universalidade das leis da Natureza e a variabilidade das leis dos homens (baseadas em valores morais que mudam com cultura e tempo). A frase "lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade" ilustra justamente essa tentativa de aplicar o modelo natural (universal) ao âmbito social, confirmando a tese central do texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o autor quer demonstrar "o poder da mente humana quando calcado na contestação platônica da existência das formas ideais". O texto, porém, não fala em contestação; ao contrário, refere-se a Platão com veneração pelo poder da matemática e da mente (3º parágrafo: "há no pensamento desse filósofo [...] um senso de veneração com o poder da matemática"). A menção a Platão é uma ilustração da busca por verdades eternas a partir da observação da Natureza, não uma contestação. A alternativa contradiz o texto e extrapola o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o autor demonstra "o desapego que os homens ao tempo do Iluminismo mantinham em relação aos valores morais". O texto não afirma que os iluministas eram desapegados de valores morais; apenas que buscavam fundamentar leis sociais na racionalidade. Além disso, o contexto geral do texto mostra que as leis dos homens são baseadas em valores morais, e o Iluminismo tentou buscar uma racionalidade universal, mas isso não implica "desapego". É uma extrapolação (fora do escopo).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma "o inconformismo radical de Platão quanto ao prestígio exagerado de que gozava a matemática". O texto diz exatamente o oposto: Platão tinha "veneração com o poder da matemática". Portanto, a alternativa contradiz diretamente o texto (troca de conceito: veneração por inconformismo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Propõe "a racionalidade das leis morais presente na observação dos comportamentos da natureza". O texto não diz que as leis morais são racionais; afirma que as leis da Natureza são universais e que alguns pensadores tentaram usá-las como base para leis humanas. As leis dos homens (morais) são caracterizadas como variáveis e discutíveis, não como racionais. A alternativa confunde o objeto da racionalidade: o que é racional são as leis da Natureza, não as leis morais. Erro de generalização indevida.
Conclusão: A única alternativa inteiramente amparada pelo texto é a A, que capta a oposição central do parágrafo entre a universalidade das leis naturais e a variação das leis morais.