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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc072990
Banca
FCC
Órgão
MPE-PI
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial - Área Processual
Atenção: Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão.


       "O Inferno são os outros" -diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto.

      Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), quе ита vez estávamos nós dois num bar e no meio da conversa ele disse fremente:

     - Isso é o maior verso da língua portuguesa!

  Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emilia, Emilia, Emilia, eu não posso mais".


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
O cronista faz uso da figura de linguagem conhecida como hipérbole no seguinte trecho:
  1. AHavia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro (4º parágrafo).
  2. Bum outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam (4º parágrafo).
  3. CHoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública (1ª parágrafo).
  4. Duma vez estávamos nós dois num bar (2o parágrafo).
  5. EEle então pediu silêncio, e que ouvisse (4º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública (1ª parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipérbole na crônica de Rubem Braga

Gabarito: letra C. A hipérbole é a figura de linguagem que consiste no exagero intencional para enfatizar uma ideia. No trecho "vontade de abrir meu peito em praça pública" (1º parágrafo), o cronista exagera ao dizer que quer "abrir o peito" – ação literalmente impossível – para expressar o desejo intenso de fazer confissões públicas. As demais alternativas trazem descrições literais ou factuais, sem exagero.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro (4º parágrafo).

Trata-se de enumeração descritiva do ambiente, sem qualquer exagero. Erro: ausência de hipérbole (troca de conceito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam (4º parágrafo).

É uma descrição detalhada, mas literal – o som é fraco, não exagerado. Erro: ausência de hipérbole.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública (1º parágrafo).

"Abrir o peito em praça pública" é claramente um exagero: ninguém literalmente abre o peito. A intenção é enfatizar a vontade de se confessar abertamente. Hipérbole confirmada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

uma vez estávamos nós dois num bar (2º parágrafo).

Afirmação factual, sem exagero. Erro: ausência de hipérbole.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Ele então pediu silêncio, e que ouvisse (4º parágrafo).

Ação normal, sem exagero. Erro: ausência de hipérbole.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato oferecendo descrições literais (A, B, D, E) como se fossem hipérboles. A única com exagero evidente é a letra C.

Conclusão: A hipérbole está no exagero de "abrir o peito em praça pública", que expressa de forma intensificada a vontade de confessar. Gabarito: letra C.

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