Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
fc073047
Banca
FCC
Órgão
MPE-PI
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial - Área Saúde - Psicologia
Atenção: Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão.
"O Inferno são os outros" -diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje
estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com
derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto.
Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), quе ита
vez estávamos nós dois num bar e no meio da conversa ele disse fremente:
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!
Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado,
ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no
finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música
que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emília, Emília, Emília, eu não
posso mais".
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
O cronista faz uso da figura de linguagem conhecida como hipérbole no seguinte trecho:
AHoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública (1° parágrafo).
Buma vez estávamos nós dois num bar (2º parágrafo).
CEle então pediu silêncio, e que ouvisse (4º parágrafo).
DHavia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro (4º parágrafo).
Eum outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam (4º parágrafo).
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GabaritoA — Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública (1° parágrafo).
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Identificação de hipérbole na crônica de Rubem Braga
Gabarito: letra A. A hipérbole é uma figura de linguagem que consiste no exagero intencional da expressão. No trecho “vontade de abrir meu peito em praça pública” (1° parágrafo), o cronista exagera ao dizer que deseja literalmente abrir seu peito em público, quando na verdade quer apenas confessar-se de forma intensa. As demais alternativas descrevem situações factuais, sem exagero.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública”
A expressão “abrir o peito” é metafórica para desabafar, mas “em praça pública” amplifica o sentido de exposição, criando um exagero (hipérbole). O autor não pretende, de fato, realizar um ato cirúrgico; é um recurso estilístico para enfatizar sua disposição para confissões.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“uma vez estávamos nós dois num bar” – relato factual, sem exagero. Apenas situa o cenário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Ele então pediu silêncio, e que ouvisse” – ação concreta, sem hipérbole.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro” – descrição objetiva do ambiente, sem exageros.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam” – descrição de um som quase inaudível, mas trata-se de detalhamento realista, não de exagero. A intenção é mostrar a dificuldade de audição, não amplificar desproporcionalmente.
NÃO CAIA NESSA!
O candidato pode confundir hipérbole com descrição enfática (alternativa E). A chave é verificar se há exagero evidente, como na imagem impossível de “abrir o peito em praça pública”.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar hipérbole, pergunte: “isso poderia acontecer literalmente?”. Se a resposta for não, e a intenção for enfatizar, é hipérbole.