Direcionamento ao leitor na crônica de Rubem Braga
Gabarito: letra D. O cronista dirige-se diretamente ao leitor no trecho "quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto". Essa passagem contém um imperativo (") e uma condicional que inclui o leitor como interlocutor, convidando-o (ou melhor, afastando-o) a não prosseguir. É o único fragmento em que o autor rompe o relato e fala com seu público.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse."
Não há direcionamento ao leitor; é uma narração de fatos passados, com o diálogo entre o cronista e seu amigo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública;"
O autor expressa seu estado de espírito, mas não se dirige ao leitor — não há pronome de segunda pessoa nem imperativo que o inclua.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: "eu que o diga!"
Aqui o cronista cita e responde a Sartre, não ao leitor. É um recurso de citação, não de interlocução direta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto."
A condicional "quem for" e o imperativo "tenha a bondade" são marcas típicas de interlocução direta com o leitor. O autor o insere no texto, alertando-o para que pare de ler se for "discreto" ou se aborrecer com desabafos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"estávamos nós dois num bar e no meio da conversa ele disse fremente: - Isso é o maior verso da língua portuguesa!"
Narrativa em primeira pessoa do plural, mas o "nós" refere-se ao cronista e ao amigo, não ao leitor. Não há qualquer endereçamento a quem lê.
Conclusão: A única alternativa que apresenta o cronista dirigindo-se diretamente ao leitor é a letra D.
Gabarito: letra D