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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2025

PortuguêsSintaxe
Código
fc073099
Banca
FCC
Órgão
MPE-PI
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ministerial

Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.



A revolução tecnológica do século XXI modificou toda a configuração da economia global, provocando uma verdadeira ruptura nas relações trabalhistas até então vigentes. Um dos setores da economia que melhor representa essa revolução e seu impacto nas relações de trabalho é o de serviços de transporte de passageiros e de entrega de bens de consumо.


Junto a essa radical transformação tecnológica, levando em conta a grande oferta de mão de obra disponível, escancarou-se uma controversa realidade social: a relação de trabalho estabelecida entre motoristas e entregadores e as empresas que operam por meio de plataformas digitais.


Desde o início das atividades das empresas de transporte e entrega por aplicativos no Brasil, os trabalhadores cadastrados em suas plataformas foram contratados como microempreendedores individuais (MEl) ou como autônomos.


Nesse contexto, o questionamento a ser feito é se esses motoristas e entregadores são ou não são, na realidade, empregados. Como empregados, se enquadrariam em uma das modalidades contratuais previstas na CLT. Já como não empregados, ou autônomos, a CLT não se aplicaria e, consequentemente, os direitos trabalhistas celetistas não seriam a eles devidos. O questionamento colocado é a razão da controvérsia atual que domina o campo trabalhista e que envolve diversos atores sociais e instituições públicas ligadas ao trabalho.


A relação de emprego, assim como a relação de trabalho autônomo, são espécies do género relação de trabalho. Para a caracterização da relação de emprego devem estar presentes, de forma cumulativa, os requisitos constantes dos arts. 2º e 3º da CLT, quais sejam: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. 


A subordinação é o elemento decisivo para a afirmação da existência, ou não, da relação de emprego, como também é o elemento principal de diferenciação entre a relação de emprego e as diversas modalidades de trabalho autônomo. Logo, pode-se dizer que a contraposição à subordinação é a autonomia. E é exatamente sobre o elemento subordinação que reside a controvérsía ora analisada.


Todas as empresas que ofertam serviços de transporte ou entrega por aplicativos afirmam inexistir entre elas e os trabalhadores cadastrados em suas plataformas qualquer tipo de subordinação. Pelo contrário, afirmam que há autonomia e independência desses trabalhadores na prestação dos serviços, já que esses profissionais têm total liberdade para se conectarem ou não ao aplicativo, podendo escolher o horário de trabalho, e para aceitarem ou recusarem o direcionamento (chamado/oferta) de serviços.


Na Justiça do Trabalho são inúmeras as ações individuais de motoristas e entregadores pleiteando o reconhecimento do vínculo empregatício com as empresas para as quais prestam e/ou prestaram serviços por meio de aplicativos. Ora é reconhecida a relação de emprego, configurando-se a existência de subordinação, ora tal relação não é reconhecida.


(Adaptado de: NEIVA, Rafael Brisque)

Considere o trecho:


Todas as empresas que ofertam serviços de transporte ou entrega por aplicativos afirmam inexistir entre elas e os trabalhadores cadastrados em suas plataformas qualquer tipo de subordinação.


Sem prejuízo para a correção e para as relações de sentido estabelecidas na frase, o termo sublinhado pode ser substituído por:

  1. Acuja inexistência
  2. Bna inexistência
  3. Cà inexistência
  4. Dque inexiste
  5. Eque inexistiam
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — que inexiste

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Substituição de "inexistir" — manutenção de sentido e correção

Gabarito: alternativa D. O termo sublinhado "inexistir" (infinitivo impessoal) pode ser substituído por "que inexiste" (oração subordinada substantiva objetiva direta com verbo no presente do indicativo), sem alterar o sentido da frase: as empresas afirmam que não existe qualquer tipo de subordinação. A troca preserva a estrutura de declaração e a concordância com "qualquer tipo" (singular).

Análise das alternativas:

Alternativa A — ❌ Incorreta. "Cuja inexistência" exigiria um termo antecedente para o pronome relativo "cuja", o que não ocorre no trecho. Além disso, a construção "afirmam cuja inexistência" é agramatical e quebra a relação de sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta. "Na inexistência" (preposição + artigo + substantivo) transformaria o verbo em um adjunto adverbial de lugar/contexto, alterando o sentido original de afirmação para uma referência locativa. "Afirmam na inexistência" não equivale a "afirmam que não existe".

Alternativa C — ❌ Incorreta. "À inexistência" (preposição + artigo) também introduz uma noção de direção ou finalidade, incompatível com o verbo "afirmam", que pede um complemento oracional (objeto direto) — não um termo preposicionado.

Alternativa D — ✅ Correta. "Que inexiste" forma uma oração subordinada substantiva objetiva direta, mantendo o conteúdo proposicional da declaração: as empresas afirmam que não há subordinação. A concordância singular com "qualquer tipo" é preservada.

Alternativa E — ❌ Incorreta. "Que inexistiam" usa o pretérito imperfeito do indicativo (plural), enquanto o verbo original "inexistir" está no presente e o sujeito "qualquer tipo" é singular. A alteração temporal e de número desrespeita o sentido e a correção gramatical.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um infinitivo (verbo no infinitivo) por uma forma finita, verifique o tempo e a concordância com o sujeito. No caso, "inexistir" é impessoal, mas equivalente a "não existir"; a forma "inexiste" concorda com "qualquer tipo".

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: D.

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