Compreensão da pobreza urbana no texto de Milton Santos
Gabarito: letra E. A alternativa captura a tese central do texto: a pobreza é definida pela inserção político-econômica do indivíduo em uma sociedade que tem seus próprios valores e objetivos. Essa ideia está explícita em trechos como:
“a pobreza não é apenas uma categoria econômica, mas também — e acima de tudo — uma categoria política.” “A medida da pobreza é dada, antes de mais nada, pelos objetivos que a sociedade determinou para si própria.” “A única medida válida é a atual, dada pela situação relativa do indivíduo na sociedade a que pertence.”
O comando pede compreensão (informação explícita), não inferência. A alternativa E sintetiza essas passagens sem acrescentar opinião ou restringir o sentido.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto defende a relatividade da pobreza, mas não afirma que critérios subjetivos são “pouco úteis”. Essa palavra (pouco úteis) é uma opinião embutida que o autor não emitiu. O texto, ao contrário, valoriza a dimensão subjetiva ao dizer que “a definição de pobreza deve ir além das pesquisas estatísticas” e que envolve “um conjunto complexo de relações”. A alternativa, portanto, acrescenta opinião que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa contradiz o texto. O autor critica comparações entre séries temporais e afirma que “comparações entre diferentes séries temporais frequentemente levam à confusão”. A ideia de que “o cotejo de diferentes índices estatísticos não seja objeto de relativização cultural” é o oposto do que o texto defende: a relativização cultural é exatamente o que se deve considerar. Contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto não diz que “as séries temporais lidavam com conceitos equivocados”. Ele diz que a definição de pobreza “muda ao longo do tempo” e que a combinação de variáveis se altera. Isso é diferente de afirmar que conceitos passados são “equivocados”. A alternativa extrapola ao impor um juízo de valor (equivocado) que o texto não sustenta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto critica explicitamente definições baseadas em “uma única variável” ou “medida matemática”. Diz: “não faz sentido procurar uma definição matemática ou estática” e “um indivíduo não é mais pobre ou menos pobre apenas porque consome um pouco menos ou um pouco mais”. A alternativa propõe exatamente o que o texto refuta — contradiz o texto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E é uma paráfrase fiel das ideias centrais do texto: a pobreza deve ser entendida a partir da inserção política e econômica das pessoas na sociedade, considerando os valores e objetivos dessa sociedade. Isso está em:
“a pobreza não é apenas uma categoria econômica, mas também — e acima de tudo — uma categoria política.” “A medida da pobreza é dada, antes de mais nada, pelos objetivos que a sociedade determinou para si própria.” “é mais importante compreender um fenômeno do que medi-lo.”
Nenhuma informação foi acrescentada ou omitida — é compreensão literal.
Gabarito: letra E.