Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
fc073377
Banca
FCC
Órgão
Prefeitura de São Paulo - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Municipal de Controle Interno - AMCI Área de Especialização: Geral
Acerca dos recursos coesivos no texto de Rubem Braga,
Atermos como multidão, coletivo de pessoas, que, por sua vez, é hiperonímia para homens e mulheres, bem como a metonímia caras, favorecem a coesão do texto, além de acrescentar novos matizes de sentido; no caso deste último termo, destaca-se a parte do corpo pela qual se costuma reconhecer alguém.
Ba subordinação, usada preferencialmente à coordenação sintática, confere à crônica um caráter poético, uma vez que determina com precisão as relações de sentido entre as orações, exceção feita ao pronome onde, que tende a indeterminar a localização do personagem.
Cos advérbios de tempo contrapõem-se ao uso constante do presente do indicativo, desenvolvendo uma tensão narrativa rompida apenas pelo desfecho da crônica, com o verbo no pretérito ficou, na última frase.
Do uso contínuo da conjunção e, notadamente no terceiro parágrafo, corrobora o contraponto temporal entre o passado e o presente do cronista, entre a cidade em que escolhera viver e aquela que reencontra.
Eos pronomes esse, essa, este, esta e seus derivados, abundantes no texto, eximem o autor da busca por correlatos dos substantivos a que fazem referência, garantindo, no entanto, que a coesão mantenha a clareza e o andamento da narração.
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GabaritoA — termos como multidão, coletivo de pessoas, que, por sua vez, é hiperonímia para homens e mulheres, bem como a metonímia caras, favorecem a coesão do texto, além de acrescentar novos matizes de sentido; no caso deste último termo, destaca-se a parte do corpo pela qual se costuma reconhecer alguém.
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Coesão textual em Rubem Braga
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que descreve corretamente recursos coesivos presentes no texto, com base em trechos literais. As demais ou contradizem o texto ou extrapolam seu conteúdo.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que termos como multidão (coletivo), hiperonímia para homens e mulheres, e a metonímia caras favorecem a coesão e acrescentam matizes de sentido. O texto comprova:
"andando no meio dessa multidão encapotada que os cinemas de grandes luzes brilhantes vão engolindo em seus enormes ventres negros, onde esses homens e essas mulheres passam duas horas entretidos..." "Desfilam por mim centenas, milhares de caras"
Multidão é termo genérico (hiperônimo) que engloba homens e mulheres (hipônimos).
Caras é metonímia: a parte (rosto) pelo todo (pessoa), e o texto realça o reconhecimento visual ("não conhecer ninguém"), reforçando a ideia de identificação pela face.
Portanto, a alternativa é fiel ao texto e correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"a subordinação, usada preferencialmente à coordenação sintática..."
O texto emprega tanto coordenação quanto subordinação. A coordenação é abundante (ex.: "Ligo para dois conhecidos; nenhum está em casa. Perdi há tempos meu caderno de endereços; não encontro a lista de telefone. Tomo um banho, mudo a roupa e saio sozinho"). Não há predominância clara de subordinação. Além disso, o pronome onde ("aqui é São Paulo, onde tanto vivi") tem referente preciso (São Paulo) e não indetermina a localização. Erro: contradiz o texto (afirma preferência inexistente) e faz afirmação falsa sobre o pronome.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"os advérbios de tempo contrapõem-se ao uso constante do presente... desenvolvendo uma tensão narrativa rompida apenas pelo desfecho, com o verbo no pretérito ficou"
Há outros tempos passados além do final: "onde tanto vivi" (pretérito perfeito), "em que escolhera viver" (mais-que-perfeito), "perambulei" (pretérito perfeito). A ideia de "tensão rompida apenas no final" é extrapolação: o texto não sustenta essa leitura. Erro: restringe indevidamente ("apenas") e não considera outros pretéritos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"o uso contínuo da conjunção e, notadamente no terceiro parágrafo, corrobora o contraponto temporal entre passado e presente"
A conjunção e é aditiva, não contrastiva. O contraponto temporal (passado vs. presente) é feito por advérbios e tempos verbais, não pelo e. O texto usa e para somar ações, não para opor. Erro: atribui à conjunção uma função que ela não exerce no texto (troca de conceito).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"os pronomes esse, essa, este, esta... eximem o autor da busca por correlatos dos substantivos..."
Os pronomes demonstrativos, ao contrário, exigem um correlato (antecedente) para serem interpretados. O texto fornece esses antecedentes ("desse café" refere-se a café mencionado; "dessa multidão" refere-se a multidão citada). Eles não "eximem" o autor; são justamente os mecanismos de coesão que retomam termos já ditos. A redação dá a entender que os pronomes dispensam a necessidade de referentes, o que é falso. Erro: contradiz a função real dos pronomes (extrapolação/afirmação falsa).
Conclusão: A única alternativa inteiramente ancorada no texto é a A.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de coesão, sempre verifique se a afirmação sobre o recurso (função, predominância, efeito) pode ser comprovada com trechos. Desconfie de absolutos ("apenas", "preferencialmente", "eximem") e de atribuições de sentido que o texto não explicita.