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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc073773
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-PI
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do Tesouro Estadual - Área de Conhecimento: Geral (prova 1)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós


        Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.


        Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.


        Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.


        Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)

A consideração ética central da filósofa americana Shannon Vallor quanto ao uso progressivo da Inteligência Artificial vem expressa neste segmento do texto:
  1. Aprogressiva substituição de gente por máquinas (1° parágrafo).
  2. Bferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas (3° parágrafo).
  3. Cabrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões (3° parágrafo).
  4. DTodas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos (4° parágrafo).
  5. EA seta sempre apontou para o futuro (4° parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões (3° parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consideração ética central sobre o uso da IA

Gabarito: letra C. A filósofa Shannon Vallor aponta como cerne do problema ético da IA o fato de estarmos "abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões". Esse trecho, no 3º parágrafo, sintetiza o perigo de terceirizar a capacidade humana de julgar e escolher, levando à estagnação da espécie. As demais alternativas são periféricas ou invertem o sentido defendido pela autora.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"progressiva substituição de gente por máquinas" (1° parágrafo)

O texto explicitamente recusa essa visão: "O 'risco existencial' para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas". A autora descarta esse argumento – logo, não é a consideração ética central, mas uma ideia que ela refuta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas" (3° parágrafo)

Essa frase é uma concessão da autora ao reconhecer a utilidade da IA, mas é imediatamente seguida da ressalva "qual seria o problema disso tudo?" que introduz a crítica. A centralidade está no problema, não na utilidade. Portanto, é um aspecto secundário, não a tese.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões" (3° parágrafo)

Aqui está o núcleo ético: a IA nos seduz a delegar a capacidade de decidir, raciocinar, escrever, projetar. O texto afirma: "Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões". Essa entrega voluntária é o perigo que Vallor denuncia – a consideração central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos" (4° parágrafo)

Essa afirmação é uma generalização histórica que serve de contraponto ao que a IA representa de novo. O texto a usa para contrastar: enquanto antes as tecnologias nos levavam a evoluir moralmente, a IA oferece a tentação de parar. Não é a tese central, mas um argumento auxiliar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A seta sempre apontou para o futuro" (4° parágrafo)

Idem à D: é parte da mesma oposição histórica. A seta apontava para frente (progresso moral), mas com a IA corremos o risco de "olhar pelo espelho" para trás. Essa frase não encerra a consideração ética central, apenas ilustra o movimento anterior.

Conclusão: O gabarito é a letra C, pois traduz a essência do alerta de Shannon Vallor: o perigo ético da IA está na nossa disposição em abrir mão da autonomia decisória, delegando-a a algoritmos.

💡 Dica: Em questões que pedem a “consideração ética central”, localize a tese do autor – geralmente expressa com verbos como “sustenta”, “acredita” ou “segundo a autora”. O texto afirma que o risco é “nada menos que a estagnação da espécie” e que isso ocorre porque “estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios”. Opções periféricas ou contrárias ao argumento principal são distratores.

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