Consideração ética central sobre o uso da IA
Gabarito: letra C. A filósofa Shannon Vallor aponta como cerne do problema ético da IA o fato de estarmos "abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões". Esse trecho, no 3º parágrafo, sintetiza o perigo de terceirizar a capacidade humana de julgar e escolher, levando à estagnação da espécie. As demais alternativas são periféricas ou invertem o sentido defendido pela autora.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"progressiva substituição de gente por máquinas" (1° parágrafo)
O texto explicitamente recusa essa visão: "O 'risco existencial' para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas". A autora descarta esse argumento – logo, não é a consideração ética central, mas uma ideia que ela refuta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas" (3° parágrafo)
Essa frase é uma concessão da autora ao reconhecer a utilidade da IA, mas é imediatamente seguida da ressalva "qual seria o problema disso tudo?" que introduz a crítica. A centralidade está no problema, não na utilidade. Portanto, é um aspecto secundário, não a tese.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões" (3° parágrafo)
Aqui está o núcleo ético: a IA nos seduz a delegar a capacidade de decidir, raciocinar, escrever, projetar. O texto afirma: "Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões". Essa entrega voluntária é o perigo que Vallor denuncia – a consideração central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos" (4° parágrafo)
Essa afirmação é uma generalização histórica que serve de contraponto ao que a IA representa de novo. O texto a usa para contrastar: enquanto antes as tecnologias nos levavam a evoluir moralmente, a IA oferece a tentação de parar. Não é a tese central, mas um argumento auxiliar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"A seta sempre apontou para o futuro" (4° parágrafo)
Idem à D: é parte da mesma oposição histórica. A seta apontava para frente (progresso moral), mas com a IA corremos o risco de "olhar pelo espelho" para trás. Essa frase não encerra a consideração ética central, apenas ilustra o movimento anterior.
Conclusão: O gabarito é a letra C, pois traduz a essência do alerta de Shannon Vallor: o perigo ético da IA está na nossa disposição em abrir mão da autonomia decisória, delegando-a a algoritmos.
💡 Dica: Em questões que pedem a “consideração ética central”, localize a tese do autor – geralmente expressa com verbos como “sustenta”, “acredita” ou “segundo a autora”. O texto afirma que o risco é “nada menos que a estagnação da espécie” e que isso ocorre porque “estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios”. Opções periféricas ou contrárias ao argumento principal são distratores.