Analista do Tesouro Estadual - Área de Conhecimento: Geral (prova 2)
A partir da comparação entre as visões clássica e keynesiana a respeito da presença do setor público no “equilíbrio macroeconômico”, conclui-se que:
AEm um quadro de depressão econômica, quando ocorre a armadilha da liquidez, sob a perspectiva keynesiana, justifica-se a adoção de uma política fiscal expansionista por parte do Governo.
BO pressuposto clássico de perfeita flexibilidade de preços e salários justifica a função distributiva do Estado.
CKeynes, em sua obra A Teoria Geral, ao tomar a produção total como um dado e o pleno emprego como decorrência do funcionamento do sistema capitalista, abre espaço para o desempenho do papel anticiclico do poder público.
DA função de regulação de preços exercida pelo setor público está ancorada na assunção da hipótese da função de entesouramento da moeda, pela economia clássica.
ENo modelo keynesiano, a propensão marginal ao consumo é maior que a unidade, tendendo o sistema capitalista a gerar permanentes crises de sobreconsumo.
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GabaritoA — Em um quadro de depressão econômica, quando ocorre a armadilha da liquidez, sob a perspectiva keynesiana, justifica-se a adoção de uma política fiscal expansionista por parte do Governo.
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Comparação entre visões clássica e keynesiana do setor público
Gabarito: letra A. Na armadilha da liquidez (curva LM horizontal), a política monetária torna-se ineficaz, mas a política fiscal expansionista é plenamente eficaz para elevar a renda e o emprego – exatamente o que Keynes defendia em contextos de depressão. Essa conclusão está amparada no modelo IS-LM e no conteúdo de apoio (armadilha da liquidez: política fiscal eficaz, monetária ineficaz).
Critério
Visão Clássica
Visão Keynesiana
Papel do Estado na economia
Laissez-faire; autorregulação dos mercados; intervenção mínima
Intervenção ativa para corrigir falhas de demanda agregada; papel anticíclico
Flexibilidade de preços e salários
Perfeitamente flexíveis; garantem equilíbrio automático com pleno emprego
Rígidos (especialmente para baixo); podem gerar desemprego involuntário
Eficácia da política fiscal
Ineficaz ou desnecessária (crowding-out total; economia já está no pleno emprego)
Eficaz, especialmente na armadilha da liquidez (desloca IS, eleva renda e emprego)
Eficácia da política monetária
Eficaz (controle da oferta monetária afeta preços e nível de atividade)
Ineficaz na armadilha da liquidez (demanda por moeda infinitamente elástica)
Causa do desemprego
Desemprego voluntário ou friccional (salário real acima do equilíbrio)
Desemprego involuntário (insuficiência de demanda agregada)
Função distributiva do Estado
Não decorre do modelo clássico; foco na eficiência alocativa
Justificada para corrigir desigualdades e sustentar demanda agregada
Hipótese de entesouramento (hoarding)
Rejeitada (Lei de Say: toda oferta gera sua própria demanda)
Aceita (moeda pode ser retida, gerando insuficiência de demanda)
Clássica
Keynesiana
Política monetária
Ineficaz (autorregulação)
Eficaz (expansão)
Política fiscal
Eficaz (juros flexíveis)
Ineficaz (LM horizontal)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. No quadro keynesiano, quando a economia cai na armadilha da liquidez (taxa de juros muito baixa, demanda por moeda infinitamente elástica), a política monetária perde efeito, mas a política fiscal expansionista (aumento de gastos ou redução de tributos) consegue deslocar a curva IS e elevar o produto. O conteúdo de apoio confirma: "Na armadilha da liquidez, a política monetária é ineficaz... a política fiscal é eficaz".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A perfeita flexibilidade de preços e salários, pressuposto clássico, implica que a economia se autorregula e tende ao pleno emprego sem intervenção estatal. A função distributiva do Estado (redistribuição de renda) não decorre desse pressuposto; ao contrário, os clássicos defendem o laissez-faire. A função distributiva é típica de uma abordagem keynesiana ou de welfare state. A banca troca o papel do Estado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Keynes não toma a produção total como dada nem considera o pleno emprego automático no capitalismo. Ele critica a Lei de Say e mostra que a demanda agregada pode ser insuficiente, gerando desemprego involuntário. É a visão clássica que supõe pleno emprego como decorrência natural do funcionamento dos mercados. Keynes abre espaço para o papel anticíclico do governo justamente por rejeitar a autorregulação. A alternativa inverte as posições.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A função de regulação de preços pelo Estado não é uma conclusão da economia clássica. Os clássicos defendem preços flexíveis e livres, sem intervenção. A hipótese de entesouramento da moeda (hoarding) é tipicamente keynesiana, associada à armadilha da liquidez, e não clássica. A banca confunde os fundamentos das duas escolas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No modelo keynesiano básico, a propensão marginal a consumir (c) está sempre entre 0 e 1. Se fosse maior que 1, o consumo superaria a renda, o que não é compatível com a função consumo keynesiana. As crises capitalistas, para Keynes, decorrem de insuficiência de demanda agregada (subconsumo/sobrepoupança), não de sobreconsumo. A alternativa erra tanto o valor de c quanto a explicação das crises.
Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente uma implicação keynesiana é a letra A. As demais invertem ou distorcem os conceitos fundamentais das duas escolas.