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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2025

PortuguêsSintaxe
Código
fc073850
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-PI
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do Tesouro Estadual - Área de Conhecimento: Tecnologia da Informação (prova 1)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Buscas de sentido


        Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência. "Existirmos, a que será que se destina?" -interrogou Caetano Veloso numа canção sua.


        Podemos especular que seriam três os principais caminhos tomados pelo homem na busca de resposta para essa pergunta fundamental: o do pensamento racional, o da crença religiosa e o da representação artística. No primeiro entroncam-se a ciência ea filosofia, como modos de investigar e agir sobre a realidade cognoscível; no segundo, a fé propõe bases e dogmas para se crer que o sentido de tudo opera num plano divino, a ser cultuado; no terceiro, o homem se faz ele mesmo criador de sentidos, que figura por meios simbólicos.


        Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos. Há em cada um de nós mudanças de rotas, mistura de passos, misto de linguagens diversas. Ninguém duvida de que somos criaturas complexas. Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal. A ciência sabe que sua objetividade tem limites, além dos quais não pode se arriscar para perder o que já ganhou. Se a religião se dá como verdade atingida e completa, a teologia e os místicos não desprezam o valor da dúvida humana, que ajuda na sedimentação da perfeição divina. E a arte, tantas vezes, encontra um prazer maior em figurar o sentido por meio de instrumentos negativos, como a ironia, o humor, a reflexão desencantada.


        Machado de Assis se diverte com o plano raso das criaturas que vivem de "achar o achado", de se contentar com o lugarcomum. Mas o irónico humor machadiano tem um fundo sério, talvez trágico: o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquerverdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial.


        "A que será que se destina?" Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta. A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado.


(Cláudio Thales de Araújo, a editar)

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:
  1. ANota-se na obra de Machado de Assis ironias e humores negativos, nos quais se atestam sua absorção pelos desenganos desta vida.
  2. BSão dignos de nota nos cientistas e nos artistas o esforço de abrir caminhos para que se ultrapasse os obstáculos do cоnhecimento humano.
  3. CNão cabem responder às essenciais interrogações com respostas que só a nossa imaginação mais libertária especulam.
  4. DCorrespondem a cada um dos três caminhos tomados pelo homem interrogações próprias do saber a que servem em sua busca.
  5. EHaveriam nesses três caminhos antagonismos inconciliáveis ou apenas uma demonstração de quanto se revelam neles nossa complexidade.
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GabaritoD — Correspondem a cada um dos três caminhos tomados pelo homem interrogações próprias do saber a que servem em sua busca.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal nas frases do texto

Gabarito: letra D. A única frase que respeita plenamente as normas de concordância verbal é a que apresenta o sujeito plural "interrogações próprias" corretamente empregado com o verbo no plural "Correspondem". As demais alternativas contêm desvios como verbo singular com sujeito plural, uso incorreto de verbo impessoal ou falta de concordância do verbo com o sujeito da oração.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Nota-se na obra de Machado de Assis ironias e humores negativos, nos quais se atestam sua absorção pelos desenganos desta vida."

O verbo "nota-se" deveria concordar com o sujeito plural "ironias e humores negativos": o correto seria "notam-se". Do mesmo modo, em "se atestam", o sujeito é "sua absorção" (singular), portanto o verbo deveria ser "se atesta". Dois erros de concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"São dignos de nota nos cientistas e nos artistas o esforço de abrir caminhos para que se ultrapasse os obstáculos do conhecimento humano."

O sujeito de "são" é "o esforço" (singular), então o verbo deveria ser "É". Além disso, em "se ultrapasse", o sujeito é "os obstáculos" (plural), exigindo "se ultrapassem".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Não cabem responder às essenciais interrogações com respostas que só a nossa imaginação mais libertária especulam."

O verbo "caber", quando seguido de infinitivo, geralmente fica no singular: "Não cabe responder". Já em "especulam", o sujeito é "a nossa imaginação" (singular), portanto o verbo deveria ser "especula".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Correspondem a cada um dos três caminhos tomados pelo homem interrogações próprias do saber a que servem em sua busca."

O sujeito é "interrogações próprias" (plural), e o verbo "Correspondem" está corretamente no plural. Na oração relativa "a que servem", o sujeito implícito são as mesmas interrogações, e o verbo "servem" também está no plural. Nenhum desvio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Haveriam nesses três caminhos antagonismos inconciliáveis ou apenas uma demonstração de quanto se revelam neles nossa complexidade."

O verbo "haver", no sentido de “existir”, é impessoal e invariável: o correto é "Haveria". Já em "se revelam", o sujeito é "nossa complexidade" (singular), portanto o verbo deveria ser "se revela".

Conclusão: Apenas a letra D apresenta concordância verbal plenamente observada.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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