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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc073853
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-PI
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do Tesouro Estadual - Área de Conhecimento: Tecnologia da Informação (prova 1)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Buscas de sentido


        Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência. "Existirmos, a que será que se destina?" -interrogou Caetano Veloso numа canção sua.


        Podemos especular que seriam três os principais caminhos tomados pelo homem na busca de resposta para essa pergunta fundamental: o do pensamento racional, o da crença religiosa e o da representação artística. No primeiro entroncam-se a ciência ea filosofia, como modos de investigar e agir sobre a realidade cognoscível; no segundo, a fé propõe bases e dogmas para se crer que o sentido de tudo opera num plano divino, a ser cultuado; no terceiro, o homem se faz ele mesmo criador de sentidos, que figura por meios simbólicos.


        Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos. Há em cada um de nós mudanças de rotas, mistura de passos, misto de linguagens diversas. Ninguém duvida de que somos criaturas complexas. Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal. A ciência sabe que sua objetividade tem limites, além dos quais não pode se arriscar para perder o que já ganhou. Se a religião se dá como verdade atingida e completa, a teologia e os místicos não desprezam o valor da dúvida humana, que ajuda na sedimentação da perfeição divina. E a arte, tantas vezes, encontra um prazer maior em figurar o sentido por meio de instrumentos negativos, como a ironia, o humor, a reflexão desencantada.


        Machado de Assis se diverte com o plano raso das criaturas que vivem de "achar o achado", de se contentar com o lugarcomum. Mas o irónico humor machadiano tem um fundo sério, talvez trágico: o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquerverdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial.


        "A que será que se destina?" Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta. A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado.


(Cláudio Thales de Araújo, a editar)

Em nosso caminho da busca de sentido da nossa própria vida,
  1. AMachado de Assis encontrou na ironia dos chavões um instrumento cortante para sugerir que o termo da busca já está dado.
  2. Bas respostas já intentadas na progressão civilizatória simulam afirmar-se como cabíveis, mas não suprimem nossa inquietação essencial.
  3. Ca resposta definitiva é dada pela conjunção dos três principais caminhos tomados pelo homem, tal como indicado no 2º parágrafo.
  4. Das referências a Drummond e a Caetano Veloso, no 1º parágrafo, constituem indicações positivas quanto ao rumo tomado.
  5. Eo antagonismo incontornável dos caminhos clássicos tomados pela humanidade atestam a complexidade do nosso gênio inquieto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — as respostas já intentadas na progressão civilizatória simulam afirmar-se como cabíveis, mas não suprimem nossa inquietação essencial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Buscas de sentido — a resposta mora no texto

Gabarito: letra B. A alternativa B capta com precisão a tese do texto de que, embora a civilização já tenha ensaiado respostas (ciência, religião, arte), nenhuma delas é cabal, e a busca de sentido se refaz continuamente, sem nunca se esgotar. Como se lê no último parágrafo: "A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado."

A chave da questão está no comando "Em nosso caminho da busca de sentido da nossa própria vida". A alternativa deve completar essa oração de acordo com o texto, que desenvolve a ideia de que nossos recursos para explicar o sentido da vida não têm resposta cabal e que a busca se reinventa a cada passo civilizatório. A banca testa a compreensão do parágrafo final e da tese central.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto afirma que Machado de Assis "se reconhece ele mesmo longe de qualquer verdade absoluta" e que sua ironia mostra a "falibilidade essencial" das criaturas. Portanto, ele não sugere que o termo da busca já está dado; ao contrário, relativiza e aponta a ausência de respostas definitivas. A alternativa contradiz o texto.

"o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquer verdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial."

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel do último parágrafo: "Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal" e "a busca de sentido se refaz". "Simulam afirmar-se como cabíveis" reflete a aparência de resposta que as tentativas já oferecem, mas que não sustentam; "não suprimem nossa inquietação essencial" ecoa a busca que se refaz incessantemente.

"Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal." "A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado."

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto nega expressamente que haja uma resposta definitiva: "Nenhum desses recursos [...] tem uma resposta cabal." A conjunção dos três caminhos — “Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos" — é apresentada como possibilidade, não como solução. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As referências a Drummond e Caetano servem para ilustrar a pergunta fundamental, não para dar indicações positivas de rumo. Drummond imagina um marciano "intrigado" com gente que interroga o sentido; Caetano pergunta "Existirmos, a que será que se destina?" — são questionamentos, não respostas ou indicações de direção. A alternativa extrapola e foge ao tema.

"um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência."

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto afirma expressamente: "Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos." Portanto, o antagonismo não é incontornável; ao contrário, o autor ressalva que pode haver convergência. A alternativa contradiz o texto.

"Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos."

Gabarito: letra B.

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