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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc073860
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ-PI
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do Tesouro Estadual - Área de Conhecimento: Tecnologia da Informação (prova 1)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós


        Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.


        Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.


        Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.


        Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)

A consideração ética central da filósofa americana Shannon Vallor quanto ao uso progressivo da Inteligência Artificial vem expressa neste segmento do texto:
  1. ATodas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos (4º parágrafo).
  2. BA seta sempre apontou para o futuro (4º parágrafo).
  3. Cprogressiva substituição de gente por máquinas (1º parágrafo).
  4. Dferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas (3º parágrafo).
  5. Eabrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões (3º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões (3º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A consideração ética central no texto de Shannon Vallor

Gabarito: letra E. O cerne da reflexão ética da autora está no perigo de a humanidade abrir mão do "domínio dos próprios meios para a tomada de decisões", como se lê no 3º parágrafo. Essa passagem sintetiza o risco existencial apontado: não a substituição por máquinas, mas a entrega voluntária da capacidade de pensar, escolher e decidir a algoritmos.

Contexto da questão: O comando pede o segmento que expressa a consideração ética central. Isso exige localizar a TESE do texto, não um argumento lateral nem um fato geral. A autora rejeita o medo comum (substituição de gente por máquinas) e aponta o verdadeiro perigo: o narcisismo humano que terceiriza a decisão, estagnando a espécie.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos"

Afirmação genérica sobre tecnologias passadas, não expressa a consideração ética central sobre a IA. É um dado histórico, não o risco específico denunciado. Erro: tangencia o tema – fala de moral, mas não do cerne do alerta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A seta sempre apontou para o futuro"

Também é uma constatação geral sobre o progresso tecnológico anterior. Não aborda o perigo ético da IA nem a tese da autora. Erro: tangencia o tema – não capta o problema central.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"progressiva substituição de gente por máquinas"

Essa ideia é expressamente refutada pela autora no 1º parágrafo como um equívoco comum. O risco existencial não viria daí, segundo ela. Erro: contradiz o texto – o texto nega que esse seja o perigo central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas"

Reconhece a utilidade da IA, mas não expressa nenhuma consideração ética central. É uma observação que antecede a crítica, não a tese. Erro: fora do escopo – não toca no alerta moral da autora.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões"

No 3º parágrafo, a autora explica: "Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher." É a consequência ética central: ao delegar decisões à IA, perdemos as faculdades que nos definem. O risco é a estagnação da espécie. Sem erros – a passagem capta exatamente a tese do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usou segmentos que parecem relevantes (A e B), mas são afirmações periféricas ou históricas; o candidato pode confundir a tese com informações secundárias. A letra C é a antítese (o que a autora critica). A letra D é uma ressalva útil, não a tese.

Gabarito: letra E

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