Análise da questão — “Vale quanto pesa”
Gabarito: letra D. O título “Vale quanto pesa” é uma ironia: brinca com a expressão “vale quanto pesa” (que normalmente se refere a ouro ou objetos valiosos) para criticar a valorização de livros volumosos no mercado editorial, cujo conteúdo não é necessariamente de qualidade. A última frase do texto confirma: “Querem pesos pesados — e isso não se refere ao recheio intelectual.” Assim, o texto sugere que o valor dos livros está sendo medido pelo peso físico, e não pelo conteúdo intelectual.
O texto descreve a tendência de best-sellers cada vez mais grossos, encomendados por editores com base em pesquisas de mercado. O tom é crítico, mas não explícito; a ironia está em usar o título para sugerir que o “peso” vale mais do que o conteúdo.
Alternativa | Descrição | Relação com o texto | Correção |
|---|
A | Referência histórica à tradição literária, que sempre priorizou obras de maior extensão | O texto menciona Dom Quixote, mas não afirma que a tradição sempre priorizou obras extensas; a alternativa extrapola. | ❌ Incorreta |
B | Apologia aos editores que promovem histórias longas para atender a demandas de mercado | O texto relata a decisão editorial, mas não faz apologia (elogio); o tom é crítico. | ❌ Incorreta |
C | Defesa explícita do valor literário das obras mais extensas, consideradas mais profundas que as clássicas | O texto ironiza que o peso não se refere ao “recheio intelectual”, contradizendo a defesa do valor literário. | ❌ Incorreta |
D | Ironia sobre a valorização de livros volumosos no mercado editorial, mesmo que seu conteúdo não seja necessariamente de grande qualidade | O título é uma ironia que critica a valorização do peso físico em detrimento do conteúdo intelectual, confirmado pela última frase do texto. | ✅ Correta |
E | Crítica direta ao público leitor, que prefere livros mais longos independentemente de seu conteúdo | O texto critica o mercado editorial, não o público leitor de forma direta; a crítica é indireta. | ❌ Incorreta |
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
“referência histórica à tradição literária, que sempre priorizou obras de maior extensão”
O texto menciona Dom Quixote como exemplo de calhamaço, mas não afirma que a tradição sempre priorizou obras extensas. Pelo contrário, destaca que o fenômeno atual é impulsionado por editores. A alternativa extrapola ao generalizar a tradição literária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“apologia aos editores que promovem histórias longas para atender a demandas de mercado”
O texto não faz apologia (elogio) aos editores; ele apenas relata a decisão editorial baseada em pesquisas. O tom é crítico, não elogioso. A alternativa acrescenta opinião (apologia) que não está no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“defesa explícita do valor literário das obras mais extensas, consideradas mais profundas que as clássicas”
O texto não defende o valor literário das obras extensas; ao contrário, ironiza que o peso não se refere ao “recheio intelectual”. A alternativa contradiz o texto, que critica a superficialidade dos best-sellers volumosos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“ironia sobre a valorização de livros volumosos no mercado editorial, mesmo que seu conteúdo não seja necessariamente de grande qualidade”
O título é uma ironia, pois “vale quanto pesa” é usado para objetos de valor intrínseco, mas aqui se aplica a livros que são valorizados pelo peso físico, e não pelo conteúdo. O texto afirma que os editores querem “pesos pesados — e isso não se refere ao recheio intelectual”. Essa frase revela a ironia: o valor está no peso, não na qualidade. A alternativa está de acordo com o texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“crítica direta ao público leitor, que prefere livros mais longos independentemente de seu conteúdo”
O texto critica a indústria editorial e a tendência de mercado, mas não faz uma crítica direta ao público leitor. A menção ao público é indireta (pesquisas de mercado). A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma crítica direta que não está explícita.
Conclusão: A única alternativa que capta o sentido irônico do título é a D, alinhada à crítica implícita do texto sobre a valorização do volume físico em detrimento da qualidade intelectual.
Gabarito: letra D