Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026
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Código
fc076062
Banca
FCC
Órgão
AL-MS
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Técnico Legislativo - Área Administrativa
O cronista manifesta-se explicitamente em seu próprio texto no seguinte trecho:
ATirou do bolso de trás um bolo respeitável, foi botando as cédulas sobre o joelho, meticulosamente.
BNenhum cavalheiro (como se dizia no tempo do meu pai) se moveu para salvar a situação, oferecendo troco ou se prontificando a pagar a passagem.
CBotou a cabeça fora do carro, à procura da senhora, que atravessava a rua, lá atrás: – Dona! Ó dona! A nota de mil cruzeiros!
DOs passageiros não pareciam interessados no prejuízo, como antes não se condoeram do vexame da senhora.
EO motorista respondeu-lhe baixinho: – Eu sei. Já vi que está ali debaixo da caixa de fósforos. Mas se eu disser isso, esse povo me mata.
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GabaritoB — Nenhum cavalheiro (como se dizia no tempo do meu pai) se moveu para salvar a situação, oferecendo troco ou se prontificando a pagar a passagem.
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Manifestação explícita do cronista no texto
Gabarito: letra B. A questão pede o trecho em que o cronista (Carlos Drummond de Andrade) se manifesta explicitamente em seu próprio texto, ou seja, onde o narrador utiliza a primeira pessoa para fazer um comentário pessoal, interrompendo a narrativa. A única alternativa que contém essa característica é a B, com a expressão parentética "(como se dizia no tempo do meu pai)". Esse parêntese revela a voz do autor, que remete à sua própria experiência familiar, mostrando-se de forma direta e explícita.
Vejamos cada alternativa:
Alternativa A — ❌ Incorreta: "Tirou do bolso de trás um bolo respeitável..." — Trata-se de uma descrição narrativa dos atos do motorista, sem qualquer intervenção do cronista.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO: "Nenhum cavalheiro (como se dizia no tempo do meu pai) se moveu..." — O parêntese é a chave: "como se dizia no tempo do meu pai" insere a opinião e a memória pessoal do narrador, quebrando a impessoalidade. É a manifestação explícita do cronista.
Alternativa C — ❌ Incorreta: "Botou a cabeça fora do carro... – Dona! Ó dona!..." — É fala do motorista em discurso direto, não do cronista.
Alternativa D — ❌ Incorreta: "Os passageiros não pareciam interessados no prejuízo..." — Narração impessoal; não há primeira pessoa nem comentário do autor.
Alternativa E — ❌ Incorreta: "O motorista respondeu-lhe baixinho: – Eu sei..." — Continua sendo fala do personagem, não do cronista.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a manifestação explícita do autor, procure por pronomes ou possessivos em primeira pessoa (eu, meu, minha, nós, nosso), especialmente em observações à parte, parênteses ou incisos que fogem à narrativa principal.
Conclusão: a resposta correta é a letra B, pois somente nela o cronista fala diretamente ao leitor, usando "meu pai" para inserir seu próprio ponto de vista.