Questão de Português — Problemas da língua culta — FCC 2026
Português›Problemas da língua culta
Código
fc076139
Banca
FCC
Órgão
ARTESP
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente de Fiscalização à Regulação do Transporte
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.
Sobre as vaidades
A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que
não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.
Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um individuo alimenta
por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade
pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: "Você não me
conhece..." Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se
sentir como um deus.
Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho
socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade
de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com
base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.
Em suma: há a vaidade de quem afirma "sou vaidoso pelo que sou" e há a vaidade de quem pode afirmar "estou vaidoso pelo
que faço". Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do "simplesmente ser" para o "aplicar-se num fazer". É a
distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.
(Leodegário Corsi, a editar)
É adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
AUma das razões nas quais ele justifica sua vaidade seria seu desempenho escolar.
BNão lhe faltam argumentos nos quais pode se apoiar para justificar sua vaidade.
CSão ocasiões aonde ele se aproveita para tecer elogios a si mesmo.
DA vaidade de cuja ele se orgulha, vejam só, é ter nascido em berço de ouro.
EA forma da qual sua vaidade se manifesta está no modo como enaltece a si mesmo.
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GabaritoB — Não lhe faltam argumentos nos quais pode se apoiar para justificar sua vaidade.
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Regência e emprego de pronomes relativos
Gabarito: letra B. A regência do verbo "apoiar-se" exige a preposição "em" (apoiar-se em algo), o que torna adequado o uso de "nos quais" (em + os + quais). As demais alternativas falham por empregarem preposição incompatível com a regência do verbo ou por erro na estrutura do pronome relativo.
Alternativa
Verbo/Nome Regente
Preposição Exigida
Pronome Relativo Empregado
Correto?
Erro
A
justificar (VTD)
por / com
nas quais (em + as quais)
❌
Preposição "em" incompatível; o correto seria "pelas quais" ou "com que"
B
apoiar-se (VTI)
em
nos quais (em + os quais)
✅
Adequado à regência e concordância
C
aproveitar-se (VTI)
de
aonde (a + onde)
❌
"Aonde" indica destino; o correto seria "das quais"
D
orgulhar-se (VTI)
de
de cuja (sem substantivo após)
❌
"Cujo" exige substantivo imediato; a estrutura está quebrada
E
manifestar-se (VTI)
em
da qual (de + a qual)
❌
Preposição "de" incompatível; o correto seria "na qual"
Pronome relativo + regência
1Verbo exige preposição
Apoiar-se EM → nos quais (✅)
Aproveitar-se DE → das quais (❌)
Manifestar-se EM → na qual (❌)
2Verbo não exige preposição
Justificar (VTD) → nas quais (❌)
3Cujo exige substantivo após
"de cuja vaidade" (✅)
"de cuja ele" (❌)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O verbo "justificar" é transitivo direto (justificar algo). Não se usa a preposição "em" com esse verbo no sentido de base. O correto seria "razões pelas quais ele justifica" (justificar por) ou "com que". O emprego de "nas quais" é inadequado. Erro de regência.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O verbo "apoiar-se" rege a preposição "em" (apoiar-se em argumentos). A forma "nos quais" = "em os quais" está perfeitamente adequada à regência. Além disso, "argumentos" (masculino plural) concorda com o relativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O verbo "aproveitar-se" exige a preposição "de" (aproveitar-se de oportunidade/ocasião). O pronome "aonde" é usado com verbos de destino (ir a). Deveria ser "das quais" (de + as quais). Erro de regência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O verbo "orgulhar-se" exige a preposição "de" (orgulhar-se de algo). O pronome "cujo" exige um substantivo imediatamente após, concordando com ele em gênero e número: "de cuja vaidade ele se orgulha". Na frase, após "cuja" vem o pronome "ele", o que torna a construção agramatical. Além disso, a preposição "de" já está presente, mas a estrutura do relativo está quebrada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O verbo "manifestar-se" rege, nesse contexto, a preposição "em" (manifestar-se em algo). A forma "da qual" = "de + a qual", incompatível com a regência. O correto seria "na qual" (em + a qual). Erro de regência.
Conclusão: Apenas a alternativa B respeita a regência verbal e estrutura do pronome relativo exigida pela norma culta.
PEGA ESSA DICA!
Para acertar esse tipo de questão, identifique a regência do verbo ou nome da oração adjetiva (pergunte: o verbo exige preposição? qual?). Depois, escolha o pronome relativo com a preposição adequada (p. ex., "de que", "em que", "a que", "por que", etc.). Cuidado com "cujo": ele sempre pede um substantivo logo depois.
NÃO CAIA NESSA!
A banca usa verbos que muitos confundem com preposições erradas, como "aproveitar-se" (exige "de", não "a") e "manifestar-se" (exige "em", não "de"). Além disso, "cujo" sem termo subsequente é um erro clássico.