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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fc076331
Banca
FCC
Órgão
CPU-PE
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Assistente em Gestão Ambiental - Especialidade: Assistente Administrativo
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.


    Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho. Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos. 

    Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca. Então é agora, foi a resposta dela.

    Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia, sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários 107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia. Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe forçа.

    Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um passo para apanhá-lo.


(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Em Só não o fez porque a esposa estava a seu lado (3º parágrafo), o verbo sublinhado está empregado nos mesmos tempo modo daquele sublinhado em:
  1. ATudo lhe parecia tão complicado (3º parágrafo).
  2. BFinalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim (4º parágrafo).
  3. CO alvará continua à sua espera (4º parágrafo).
  4. DSim, Abílio tinha um sonho (1° parágrafo).
  5. EAparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria (3º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim (4º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reconhecimento de tempo e modo verbal

Gabarito: letra B. O verbo "fez" (pretérito perfeito do indicativo), sublinhado em "Só não o fez porque a esposa estava a seu lado" (3º parágrafo), está empregado no mesmo tempo e modo que "chegou" na alternativa B: "Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim" (4º parágrafo). Ambos indicam ação concluída no passado. As demais alternativas apresentam verbos em tempos ou modos diferentes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Tudo lhe parecia tão complicado (3º parágrafo).

"Parecia" está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ação contínua ou habitual no passado, diferente do perfeito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim (4º parágrafo).

"Chegou" está no pretérito perfeito do indicativo, exatamente como "fez".

Alternativa C — ❌ Incorreta

O alvará continua à sua espera (4º parágrafo).

"Continua" está no presente do indicativo, que indica fato atual ou permanente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sim, Abílio tinha um sonho (1º parágrafo).

"Tinha" está no pretérito imperfeito do indicativo, ação passada não concluída ou habitual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria (3º parágrafo).

"Seria" está no futuro do pretérito do indicativo, que expressa condição ou incerteza no passado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca insere verbos em tempos próximos (imperfeito, presente, futuro do pretérito) para testar o reconhecimento exato do pretérito perfeito. Identifique sempre o contexto temporal da frase.

Conclusão: A única alternativa que mantém o mesmo tempo e modo (pretérito perfeito do indicativo) é a letra B.

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