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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — FCC 2026

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
fc076337
Banca
FCC
Órgão
CPU-PE
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Assistente em Gestão Ambiental - Especialidade: Assistente Administrativo
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.


    Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho. Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos. 

    Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca. Então é agora, foi a resposta dela.

    Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia, sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários 107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia. Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe forçа.

    Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um passo para apanhá-lo.


(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Retoma um termo mencionado anteriormente na crônica a palavra sublinhada no seguinte trecho:
  1. AFaltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará (4º parágrafo).
  2. BSó não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe força (3º parágrafo).
  3. CTão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto (4º parágrafo).
  4. DTrabalhar com vime era uma habilidade que aprendera com o pai (1º parágrafo).
  5. ENão precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema (3º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Só não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe força (3º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Retomada de termo por pronome na crônica de Moacyr Scliar

Gabarito: letra B. A única alternativa em que a palavra sublinhada é um pronome pessoal oblíquo que retoma um termo mencionado anteriormente é a B: o "o" em "não o fez" retoma o verbo "desistir" (do trecho anterior "pensou em desistir"). Nas demais alternativas, as palavras sublinhadas são artigos definidos ou pronomes relativos que não exercem essa função anafórica de retomar um termo prévio.

"Só não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe força." (3º parágrafo)

O pronome oblíquo "o" em "não o fez" refere-se à ação de desistir, mencionada na frase imediatamente anterior: "ele pensou em desistir". Essa retomada é clara e típica de pronomes pessoais átonos com função anafórica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará" (4º parágrafo)

A palavra sublinhada é o artigo definido "o" antes de "alvará". Artigos não retomam termos anteriores; apenas determinam o substantivo. Não há anáfora. Erro: confunde artigo com pronome.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Explicada acima. O pronome "o" retoma o termo "desistir" (ação verbal).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto" (4º parágrafo)

Novamente, a palavra sublinhada é o artigo definido "o" antes de "degrau". Não há retomada de termo anterior. Erro: artigo não é pronome retomador.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Trabalhar com vime era uma habilidade que aprendera com o pai" (1º parágrafo)

A palavra sublinhada "que" é um pronome relativo. Ele retoma o antecedente "habilidade", mas o faz de forma imediata e dentro da própria oração adjetiva. Embora haja retomada, a questão exige que a palavra sublinhada seja um pronome pessoal (como em B), e não um relativo. Além disso, o relativo sempre retoma o termo imediatamente anterior, enquanto o pronome pessoal "o" retoma um termo mais distante (no parágrafo). A banca considera que a palavra sublinhada em D é o relativo, mas a pegadinha é que a retomada é de um termo muito próximo, e não de um termo mencionado anteriormente no sentido de anáfora mais ampla. Erro: confunde relativo com pronome pessoal anafórico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema" (3º parágrafo)

A palavra sublinhada "o" é artigo definido antes de "problema". Não retoma nada, apenas acompanha o substantivo. Erro: artigo não é pronome.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre artigo definido "o" e pronome pessoal oblíquo "o". O candidato desatento pode achar que toda palavra "o" é pronome. Em A, C e E o "o" é artigo; apenas em B é pronome pessoal com função anafórica.

Gabarito: letra B.

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