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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fc076401
Banca
FCC
Órgão
CPU-PE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Gestor Governamental - Especialidade: Administrativa

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



Arquitetura indígena



    É um grande acontecimento a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, incluída na COP30, em Belém. Contará com a presença de lideranças indígenas, universidades, coletivos culturais, parceiros institucionais. Toda a sociedade está convidada: pensemos juntos uma forma diferente de Arquitetura e Urbanismo.


    Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade. As cidades são vistas como centros da criação do conhecimento, que trouxe essa falsa ideia de que nos campos e florestas não se cria conhecimento. Nos grandes centros urbanos concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder. Mas as cidades também poluem e soterram seus rios, e se alega que isso é parte da civilização. A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das pessoas. Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.


    A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável. Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição de existência.


    Esse projeto surge em um momento de emergência climática, quando a arquitetura, o urbanismo e o modo de vida das cidades precisam ter suas bases repensadas profundamente. O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de "recursos naturais" mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social. Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais, o respeito aos ciclos naturais etc.


    A Escola da Cidade e seus parceiros propõem esta bienal justamente num contexto em que a educação e a arquitetura buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais. A Bienal Indígena será um ato de aprendizado coletivo. Uma oportunidade de reimaginar o que é habitar, projetar e viver em harmonia com o planeta.


    Mais do que um evento, esta Bienal é um chamado à transformação: um convite para compreender que a arquitetura indígena não pertence apenas ao passado, mas é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis. A Bienal se afirma como uma iniciativa permanente, garantindo que cada edição amplie os frutos de aprendizagem, integração e transformação coletiva.



(Adaptado de: TXAI SURUÍ. Folha de S. Paulo. 01/11/2025)

Depreende-se da leitura do texto que os conceitos de Arquitetura e Urbanismo, na perspectiva da autora,
  1. Apodem ser repensados a partir das práticas indígenas que se provaram sustentáveis no uso do espaço natural.
  2. Bmerecem uma revisão radical para que se aperfeiçoe a tecnologia de construção e ocupação de espaços urbanos.
  3. Cmostram-se inteiramente inadequados para refletir teoricamente sobre a ocupação humana dos espaços.
  4. Dpermanecem atrelados a interesses econômicos, por conta dos quais as cidades não logram se expandir.
  5. Edevem motivar os povos indígenas para que venham a aperfeiçoar seu sistema próprio de ocupação de espaço.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — podem ser repensados a partir das práticas indígenas que se provaram sustentáveis no uso do espaço natural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre os conceitos de Arquitetura e Urbanismo na perspectiva da autora

Gabarito: letra A. A autora defende que as práticas indígenas, por serem sustentáveis e integradas à natureza, oferecem alternativas concretas para repensar a arquitetura e o urbanismo atuais. É o que se depreende de trechos como:

"a Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há séculos habitam esse território de forma sustentável" "os modos de vida e práticas indígenas oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra" "a arquitetura indígena ... é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis"

A alternativa A parafraseia corretamente essa ideia: os conceitos de Arquitetura e Urbanismo podem ser repensados a partir das práticas indígenas — que, como o texto mostra, se provaram sustentáveis no uso do espaço natural.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Tudo o que a alternativa afirma está no texto: (1) as práticas indígenas são sustentáveis; (2) elas servem de base para repensar os conceitos tradicionais. A autora diz explicitamente que a Bienal é um chamado à transformação e que os modos indígenas oferecem alternativas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação com restrição. O texto realmente defende uma "revisão radical" das bases ("precisam ter suas bases repensadas profundamente"), mas não afirma que o objetivo seja "aperfeiçoar a tecnologia de construção e ocupação". A autora fala em aprender com a filosofia e a prática indígenas, que não se reduzem a aperfeiçoamento tecnológico. A alternativa restringe o repensar a um aspecto técnico que o texto não privilegia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto / generalização absoluta. O texto critica o modelo ocidental, mas não diz que os conceitos são "inteiramente inadequados" para refletir teoricamente. Pelo contrário, a autora propõe repensá-los — ou seja, eles ainda servem como ponto de partida. A palavra "inteiramente" torna a afirmação exagerada e não autorizada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. É verdade que o texto menciona a especulação imobiliária e o poder econômico nas cidades, mas não afirma que os conceitos de Arquitetura e Urbanismo "permanecem atrelados a interesses econômicos" nem que "as cidades não logram se expandir". O texto diz o contrário: as cidades crescem (se expandem), mas de forma predatória. A causalidade entre atrelamento e falta de expansão é inventada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: inverte a direção da ação. O texto defende que a sociedade em geral e a arquitetura ocidental aprendam com os povos indígenas, e não que os conceitos de Arquitetura e Urbanismo "motivem os povos indígenas a aperfeiçoar seu sistema". A autora valoriza o saber indígena como algo já consolidado e que serve de inspiração para nós. A alternativa coloca os indígenas como receptores passivos de motivação externa, o que contraria a tese do texto.

PEGA ESSA DICA!

Quando a questão pede "depreende-se", busque inferências ancoradas — ideias que o texto obriga a concluir, mesmo sem dizer exatamente assim. Evite alternativas que acrescentam elementos (aperfeiçoamento tecnológico, atrelamento econômico como causa) ou invertem o sujeito da ação.

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