Questão de Estatística — Inferência estatística — FCC 2026
Estatística›Inferência estatística
Código
fc076425
Banca
FCC
Órgão
CPU-PE
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Gestor Governamental - Especialidade: Planejamento, Orçamento e Gestão
Na técnica de regressão descontínua (RDD), para estudo de inferência causal,
Autiliza-se o pareamento como fator principal.
Bajusta-se o viés de seleção e de tendência.
Cconsidera-se um ponto de corte que define o tratamento.
Destima-se o efeito causal de uma intervenção.
Eutiliza-se, normalmente, a abordagem polinomial.
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GabaritoE — utiliza-se, normalmente, a abordagem polinomial.
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Regressão Descontínua (RDD) e Inferência Causal
Gabarito: letra E. Na técnica de regressão descontínua (RDD), para estudo de inferência causal, utiliza-se, normalmente, a abordagem polinomial. A RDD é um método quase-experimental que explora um ponto de corte (cutoff) para comparar unidades logo acima e logo abaixo desse limiar, e a estimação do efeito causal tipicamente envolve o ajuste de polinômios locais (abordagem polinomial) para modelar a relação entre a variável de resultado e a variável de atribuição (forcing variable) em cada lado do corte.
A regressão descontínua é uma técnica de inferência causal que se baseia na descontinuidade criada por um ponto de corte na atribuição do tratamento. A ideia central é que, em um ambiente onde o tratamento é atribuído com base em uma variável contínua (como uma nota de corte, uma idade mínima ou um índice de elegibilidade), as unidades imediatamente abaixo e acima do ponto de corte são virtualmente idênticas em todas as características observáveis e não observáveis, exceto pelo fato de receberem (ou não) o tratamento. Essa "quase aleatoriedade" local permite estimar o efeito causal do tratamento comparando os resultados médios das unidades nos dois lados do corte.
A estimação do efeito causal na RDD é feita, na prática, por meio de regressões locais. A abordagem mais comum é ajustar uma regressão polinomial (de primeira, segunda ou terceira ordem) da variável de resultado sobre a variável de atribuição, separadamente para cada lado do ponto de corte. O efeito causal é então estimado pela diferença entre os interceptos (ou os valores preditos) dessas duas regressões no ponto de corte. Essa é a chamada "abordagem polinomial", que é a técnica padrão na literatura e na prática aplicada.
A alternativa E é a correta porque captura exatamente essa característica metodológica central da RDD. As demais alternativas apresentam elementos que não são o fator principal ou a característica definidora da técnica, como veremos a seguir.
Caso
Atribuição
Resultado
A
Pareamento como fator principal
Incorreta
B
Ajuste genérico de viés de seleção e tendência
Incorreta
C
Considerar ponto de corte que define tratamento
Incorreta (verdadeira, mas incompleta)
D
Estimar efeito causal de intervenção
Incorreta (verdadeira, mas genérica)
E
Abordagem polinomial
Correta (gabarito)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O pareamento (matching) é uma técnica de inferência causal diferente, que busca criar grupos de tratamento e controle comparáveis emparelhando unidades com características observáveis semelhantes. Na RDD, o pareamento não é o fator principal; a comparabilidade entre os grupos é garantida pela proximidade ao ponto de corte, não pelo emparelhamento explícito de unidades.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A RDD não "ajusta o viés de seleção e de tendência" de forma genérica. O que ela faz é explorar a descontinuidade no ponto de corte para eliminar o viés de seleção em uma vizinhança local. O ajuste de tendência (via polinômios) é um meio para estimar o efeito no ponto de corte, mas a alternativa B é vaga e não descreve a essência da técnica, que é o uso do ponto de corte.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa descreve uma condição necessária para a RDD, mas não é a característica que a define como técnica de inferência causal. O ponto de corte (cutoff) é o que define quem recebe o tratamento, mas a RDD não se resume a "considerar" esse ponto; ela o utiliza como base para a comparação local e para a estimação do efeito. A alternativa C é verdadeira, mas incompleta e não é o foco da pergunta, que busca a característica principal da técnica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa é verdadeira, pois a RDD é, de fato, uma técnica para estimar o efeito causal de uma intervenção. No entanto, ela é genérica demais e não distingue a RDD de outras técnicas de inferência causal, como o pareamento, a variável instrumental ou o diferenças-em-diferenças. A pergunta pede uma característica específica da RDD, e a alternativa D não a fornece.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A abordagem polinomial é a técnica padrão para estimar o efeito causal na RDD. Ao ajustar polinômios locais da variável de resultado sobre a variável de atribuição em cada lado do ponto de corte, o pesquisador obtém uma estimativa do efeito do tratamento no ponto de descontinuidade. Essa é a característica metodológica que define a RDD na prática, distinguindo-a de outras técnicas de inferência causal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o que é a RDD em essência (o ponto de corte) e como ela é implementada na prática (a abordagem polinomial). As alternativas C e D são verdadeiras, mas não respondem à pergunta, que busca a característica que "normalmente" se utiliza na técnica. O candidato que marca C ou D demonstra conhecer a RDD, mas não a sua implementação padrão. A alternativa E é a única que descreve o método de estimação, que é o que a banca cobra.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre RDD, lembre-se da tríade: (1) ponto de corte define o tratamento; (2) comparação local entre unidades próximas ao corte; (3) estimação por regressão polinomial local. Se a pergunta pedir a "característica principal" ou "como se estima", a resposta será a abordagem polinomial. Se pedir o "fundamento" ou "condição", será o ponto de corte.