Interpretação de expressões do artista – compartilhar os limites humanos
Gabarito: letra B. O autor não revela artifícios para imortalidade, não denuncia ilusão, nem pondera sobre efemeridade; ele afirma a disposição criativa do artista para compartilhar conosco os limites humanos, conforme se lê no 3º parágrafo do texto. A passagem que ancora a resposta é:
“quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.”
O artista, pela sua arte, compartilha os limites humanos (envelhecimento e mortalidade) para nos fazer companhia e amenizar nosso medo da morte. Apenas a alternativa B capta essa disposição criativa de partilha.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“revela os artifícios de que se vale o artista para justificar seu direito à imortalidade.”
Erro: extrapolação. O texto não fala em “justificar direito à imortalidade”; pelo contrário, o artista finge justamente o oposto – envelhecer e morrer – para confortar o leitor. Não há qualquer menção a “direito à imortalidade”.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“afirma a disposição criativa do artista para compartilhar conosco os limites humanos.”
Correta. O texto mostra o artista fingindo envelhecer e fingindo que morrerá, o que é uma forma criativa de compartilhar a condição humana (envelhecimento, finitude) com o leitor, com o objetivo de fazer-lhe companhia e distraí-lo do medo da morte. A expressão “pra melhor lhe fazer companhia” e “só para que você se distraia” comprovam essa partilha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“denuncia como uma ilusão o contrato de imortalidade que o artista forja com seu público.”
Erro: contradiz o texto / extrapolação. O texto não denuncia nada; o tom é afetivo e acolhedor. Não há “contrato de imortalidade” – o artista finge mortalidade, não imortalidade. A palavra “denuncia” é incompatível com o tom do parágrafo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“pondera como a imortalidade de um artista independe da intensidade de sua arte.”
Erro: fuga ao tema. O texto não trata da imortalidade do artista nem da intensidade de sua arte. O foco é a relação de companheirismo entre o artista e o leitor, mediada pelo fingimento compartilhado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“considera a efemeridade de tudo, ainda quando a arte simula resistir ao tempo.”
Erro: extrapolação / tangenciamento. O texto não faz consideração filosófica sobre a “efemeridade de tudo” nem sobre a arte “resistir ao tempo”. A ideia central é a companhia do artista, não a resistência da arte ao tempo.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a B, pois o autor realmente afirma que o artista, por meio de sua arte criativa, compartilha conosco os limites humanos (envelhecimento e morte) para nos fazer companhia.